Os verdadeiros apaixonados ~ Bora Leão
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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os verdadeiros apaixonados

Postado por Luca Laprovitera às 16:45:00 segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Costumo abrir minhas matérias com fotos, mas hoje abro com um vídeo para diferenciar. Esse em questão foi gravado no dia 11 de Dezembro de 2004, o Fortaleza acabava de bater o Avaí por 2x0 com gols de Marcelo Lopes e Ronaldo Angelim, e os 8 mil torcedores da arquibancada ficaram atentos as seus radinhos enquanto ouviam Bahia 2x3 Brasiliense, na Fonte Nova, resultado que nos levou de volta a Primeira Divisão do futebol brasileiro. Não conheço os personagens, mas já vi e revi nesses quase onze anos por tantas vezes que já não consigo contar. 

Sei que muitos dos que vão ler começaram a torcer nos anos brilhantes da Jangada Atômica, outros vieram com os gols de Rinaldo e os passes de Lúcio nos anos de Primeira Divisão, alguns ainda mais jovens vieram ali da época do tetra, alguns são mais velhos, viram desde Bececê ou as tiradas majestosas de Mesquita e Sanatiel, até os anos da família Gomes comandando o ataque tricolor, outros vieram inspirados por Pedro Basílio, muitos começaram encantados com Luisinho das Arábias e Julio César 'Uri Geller', ou do bi-campeonato do início dos anos 90, com Osmar, Mirandinha e Sílvio. 

Eu, pobre coitado, nasci como Fortaleza um sofredor. Comecei a conhecer, gostar e andar pelos estádios pela primeira vez em 1996, há quase vinte anos, um garoto ainda. Naquele ano ficamos apenas em terceiro no estadual e mesmo assim tivemos a melhor campanha. O título podia ter vindo, mas, obrigado Aderson (¬¬), não veio. No ano seguinte sim, algo para se animar, a dupla Frank e Sandro conquistou diversos tricolores, o estadual mais uma vez bateu na trave. Os anos seguintes foram duros, chegar na Série C era um sacrifício, o inferno era bem maior do que hoje. Nem a atual Série D é tão ruim quanto aquilo, ver nosso time naquela situação era doloroso, mas éramos sempre nós, os fiéis apaixonados. No fim dos anos 90, um moleque baixinho, magro e veloz foi o principal responsável pela mudança de ares na torcida tricolor, hoje traidor, Clodoaldo foi junto com Vinícius, Finazzi, Denilson, Chiquinho, Ronaldo Angelim, Erandir, Bechara, Claudinho Paulista e tantos outros, os primeiros ídolos da nossa nação no início da década passada, aquela era a primeira "Era Jorge Mota". Caímos e voltamos da elite, vieram novos ídolos como Lúcio e Rinaldo, mas no fim, aquele acesso que não pagamos pela Copa João Havelange bateu na porta, voltamos até a Terceira e hoje estamos pagando os juros dela (coitado do Fluminense quando voltar). 


Não quero diminuir para quem torce para os que chamamos de os "Doze Grandes", mas é fácil demais torcer para um Flamengo, Corinthians, Palmeiras da vida, cair para a Segunda Divisão ou perder para um boliviano na Libertadores sendo a grande desgraça de suas histórias chega a ser risível. Eu olho o desespero dessas pessoas e imagino como eles se sentiriam em ver o Tocantinópolis chegar do interior do Tocantins com 22 jogadores e comissão técnica em uma Kombi para jogar conosco no PV e ainda arrancarem o 1x1, pior, quase venceram, que memória horrível. 

Nós começamos as nossas paixões no estádio, xingando o adversário que batia escanteio no PV. Tomando celulares de cachaça, ou ainda das festas da sede social, das charangas ou da bandinha, cantando com a Frente de Apoio ao Fortaleza nos anos 70, ao com a Garra, Bafo, Fiel ou Coração de Leão dos anos 80 e início dos 90, aos mais jovens, da TUF ou JGT, tem poder. No fundo eu sinto um pouco de pena daqueles que se dizem torcedores dos 'grandes' do país. Dividimos uma rivalidade única, onde no mundo só existem nós dois, mas quando precisamos defender a honra de nossa terra, vamos juntos. Porque a cada vez que nossa bandeira aparece na televisão achamos o máximo, porque no fundo somos uma grande família, uma nação unida, porque nós mesmo sendo um time mais regional, conquistamos o mundo pela tela de cinema, graças ao apaixonado Halder Gomes, porque somos não só Loucos por Futebol, somos Loucos pelo Fortaleza, claro que gostamos de vencer, das glórias e dos títulos, afinal quem não gosta de ser campeão? Mas no fundo, ganhando ou perdendo, na Primeira ou Terceira, nós somos apaixonados pelo Fortaleza.

Em 2015, voltamos a tirar o grito de campeão do peito. O cidadão da foto talvez seja desconhecido pela maioria, afinal nossos leitores mais assíduos são jovens. O nome do jogador é Cocada, atacante do futebol carioca nos anos 80, era meio grosso, não muito dotado de técnica, mas é ídolo do Vasco. Na final do Campeonato Carioca de 1988 em busca de um bi-campeonato, algo que não acontecia desde 1950. Cocada entrou aos 41 minutos do segundo tempo, marcou o gol do título aos 44 e foi expulso aos 45, mas pouco importa, ele entrou para história, Cocada virou eterno para a torcida vascaína e para muitos amantes do futebol.

No estadual então, conhecemos o nosso Cocada, Cassiano é até melhor tecnicamente, mas sua passagem não foi daquelas que encheram os olhos, foram apenas três gols em dezenove jogos. Horizonte, Ríver-PI e Ceará, as vítimas, o homem dos 47 minutos, Cassiano não precisa nunca mais fazer nada pelo Fortaleza, terá seu nome na história, será ídolo para o resto de sua vida e receberá seus louros por isso, porque amar esse time é isso, são os momentos, hoje com Cassiano, antes com Daniel Frasson e Geraldino Saravá, pela história, ficam os nomes, os imortais, porque torcer pelo Fortaleza é único e diferente, algo que poucos saberão como é.


Por Luca Laprovitera