Torcida Organizada, no olhar de um integrante ~ Bora Leão
Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ ? ]

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Torcida Organizada, no olhar de um integrante

Postado por Bora Leão às 18:19:00 terça-feira, 1 de setembro de 2015
Fala, Nação, tudo tranquilo? Agora com um pouco menos de lanterna, ops, zoeira, venho trazer um assunto bastante sério e polêmico, as Torcidas Organizadas! 



O BORA LEÃO trás para você, uma série de entrevistas com os integrantes de várias épocas para tratar de diversos assuntos. 

O nosso objetivo é mostrar que as Torcidas Organizadas não são apenas violência, como é mostrado na televisão e outros meios de comunicação, já que realizam grandes projetos sociais, como doação de sangue, alimentos, agasalhos e etc. São muito respeitadas dentro dos clubes e de grande importância para o futebol. Queremos mostrar a realidade das delas, conversando diretamente com quem vive o dia-dia da Torcida. 


Hoje, vamos entrevistar um cara que é simbolo da TUF (Torcida Uniformizada do Fortaleza), Ex-Presidente da TUF, um verdadeiro tricolor e que está dentro de uma Torcida Organizada, essa figura é o Addler Pinheiro.


Addler, obrigado por conceder essa entrevista para o Bora Leão! Vamos lá!









P: De que organizada você faz parte? Como tudo começou?
R: "Faço parte da Torcida Uniformizada do Fortaleza, a Leões da TUF. Tudo teve inicio em 1991 quando um grupo de sete tricolores universitários  na UFC (Universidade Federal do Ceará) resolveram fazer uma Torcida Organizada e surgiu o nome da TUF."

PA quanto tempo você faz parte dela? E do dia-a-dia?
R: "Eu entrei na TUF uns 6 meses após ela ser fundada, em 1991 mesmo, eu e mais meus dois irmãos Marcionílio e Arley Pinheiro. O dia-a-dia da torcida é bastante diferente para quem é um presidente, para quem é um diretor e para quem é um componente mesmo, são três coisas bem distintas."

P: Como é a sua rotina em dia de jogo? E de Clássico-Rei?
R: Quando eu fui presidente da TUF em dia de Clássico-Rei, é o dia mais esperado para todos nós, né?! A rivalidade grande na cidade, mexe com os quatro cantos de Fortaleza e a responsabilidade é imensa! Todos nós, presidente, vice-presidente, diretoria tem que se desdobrar, se esforçar bastante para atingir as metas, que é fazer as festas e incentivar os jogadores dentro de campo.

P: Como você vê a relação da sua organizada com o clube?
R: A relação de Torcida Organizada com o clube tem que haver um respeito, mas, uma liberdade e independência. Nada de ficar dentro do clube direto, de amizade com presidente, diretor... respeito só... mas ficar de muita conversa eu não concordo, nunca concordei! Porque vai chegar um momento que nós vamos ter que cobrar, né?! E se for muito ligado internamente ao clube, você não tem forças para isso. Então, a TUF tem que está sempre com uma certa distancia, mas sempre com muito amor ao clube 

P: Qual a posição da torcida em relação a questão da violência nos estádios? E se possível, e a sua?
R: A relação com violência sempre existiu, infelizmente! Faz parte da historia de todas as torcidas do mundo, sempre houve conflitos, é uma coisa quase que inevitável. Existem épocas que tem mais, outras que tem menos e cabe uma questão de conscientização dos lideres das torcidas, dos bairros principalmente, para tentar minimizar a violência nas ruas e principalmente uma parceria com a Polícia Militar do Estado para que de uma forma inteligente ela possa se antecipar aos fatos isolados, que hoje em dia vem acontecendo nos terminais, em alguns bairros e com as redes sociais fica bem mais fácil de detectar e evitar que aconteça o conflito.  

P: Como você descreve a segurança nos estádios?
R: A segurança no estádio é muito relativa, tem jogo que ela ta boa, tem jogo que ta fraca, tem jogo que o comandante manda fazer uma revista mais rigorosa, tem outros jogos que não tem essa revista funcionando, tanto é que as pessoas acabam entrando com drogas dentro do estádio. Tem muito lance da questão da consciência do torcedor, desde aquele torcedor que fica bebendo do lado de fora até 15 minutos antes, que ele causa um tumulto porque ele deixa pra entrar ao mesmo tempo junto de milhares e aquele torcedor que é mais centrado, que é mais comportado que entra 1 hora antes no estádio com sua família, com seu rádinho. Então, esse novo Castelão, por exemplo melhorou bastante em alguns aspectos... o lance do estacionamento interno e só atrai muitos torcedores que estavam deixando ir para os estádios, com toda razão, tem medo de estacionar o carro do lado de fora e pagar 10 Reais para aqueles rapazes olhar o carro, porque ele sabe que na volta ele vai correr um grande risco de ser assaltado ali fora. Então, a segurança no aspecto geral, eu creio que melhorou, a comodidade para o torcedor, principalmente na Arena Castelão.

P: Qual a ideologia da organizada hoje? E sua opinião sobre ela?
R: A torcida organizada hoje e sua ideologia tem que melhorar muito, muito mesmo! Hoje em dia a gente está vendo muitos lideres de bairro, alguns que sobrepõe ao próprio clube e também a própria torcida, então tem que ter uma hierarquia, Fortaleza acima da TUF, a TUF acima dos bairros e por aí vai. Tem que ter uma respeito mutuo entre todos e sempre amando o Fortaleza a cima de tudo, as pessoas tem que está ligadas nisso, de respeito ao clube, de saber qual é o motivo da sua existência, o porque que a TUF existe e quais são seus objetivos, que é fazer o Fortaleza ser um clube campeão. 


P: Como anda a estrutura da organizada? Atualmente ela possui quantos sócios?
R: A estrutura da TUF hoje em dia é dividida em quatro zonas. São mais de 110 bairros e temos cerca de 15 mil sócios, simpatizantes passam de 30 mil e no momento nos estamos querendo recomeçar a TUF, começar do zero novamente! Cadastrando cada componente com foto e fazendo que somente com isso em mãos ele possa usar a camisa e entrar no estádio. A gente quer qualidade e não quantidade! 

P: Quais são as maiores dificuldades encontradas?
R: A maior dificuldade é justamente tentar conscientizar, essa galera de 13 a 17 anos, é uma fase muito difícil da vida e em uma cidade periférica que nem Fortaleza, muito problemática. Não é fácil você lidar com 5 mil jovens, muitos pensando coisas muito diferentes uns dos outros. Tudo bem que todos são Fortaleza, mas... é difícil, não é fácil você conseguir passar um mensagem que todo mundo absorva da mesma maneira mas é uma coisa interessante a ser conquistada. A gente tem o poder nas mãos e dá um bom exemplo lá de cima, porque se parte um bom exemplo do presidente, do vice, de um diretor, as chances das coisas funcionarem são muito grandes. Agora se começar errado lá de cima, aí perde o controle total, então cabe a TUF ter uma presidência de alta responsabilidade e uma diretoria exemplar, esse é o primeiro passo para que possa dar certo.   

P: Como mudou a arquibancada e o perfil dos torcedores em seus anos de organizada? E o que você acha que levou a isso?
R: Eu sou de arquibancada desde 1983, quer dizer, peguei a década de 80, a de 90, e os anos dourados do Fortaleza de 2000. Confesso que as coisas só fazem piorar no quesito... vamos supor "violência" por exemplo, antigamente não existiam as drogas como existem hoje, e ela é uma coisa que complica demais, por mais que seja poucos que usem, sempre tem aquele caro no meio que quer levar o "rebanho" para o mal caminho, e hoje em dia com essas "internets" da vida muita coisa mudou, muitas "picuinhas" são criadas, desafetos, pessoas que insuflam a violência de forma rápida, isso ai é o lado negativo da tecnologia e isso influencia bastante nas torcidas organizadas em geral. As informações vazam rápido, tanto para o lado do bem, quanto para o lado do mal, mas infelizmente muita coisa ruim é colocado nas redes sociais e isso reflete nas arquibancadas. 

P: Qual o diferencial para atrair novos membros para a sua organizada?
R: A gente realmente nunca foi atras de atrair ninguém pra dentro da TUF, o Fortaleza faz o papel dele em campo, a diretoria faz o dela nas arquibancadas, as festas, aquele grito de incentivo, as coreografias, e aquilo por si próprio já atrai milhares de jovens a fazer parte da TUF. 

P: Qual a principal realização da torcida dentro e fora do estádio?
R: A realização da TUF dentro do estádio é justamente o que eu falei anteriormente, é o incentivo, 12 mil pessoas de branco pulando e cantando, emociona o estádio e consequentemente os jogadores. Fora dele a TUF sempre tenta usar o poder dela pra fazer projetos sociais, arrecadar leite em pó, roupas, tudo o que for necessário para ajudar o próximo. 

PQuais foram os melhores e piores momentos da torcida? Como você viveu isso?
R: Quem ta envolvido com futebol e torcida organizada, tem que tá preparado para o lado bom e o lado ruim. Eu gosto de estar sempre preparado pro lado bom e ruim dentro de campo, a gente... eu não estou atrás de saber se vai ter uma confusão e a TUF vai brigar, se vai ganhar... se vão bater na gente, isso aí não existe no meu dicionário, minha preocupação é dentro de campo, Fortaleza campeão... Fortaleza vencedor. Pra mim a TUF teve uma época de ouro, na época do Clodoaldo(Matéria sobre o baixinho) em 2000, o Fortaleza ganhando tudo praticamente. Passamos por uma situação complicada nos últimos 4 anos, mas novamente campeão cearense 2015, no momento muito importante, principalmente para quem está querendo sair da serie C, com o apoio da TUF e de toda Nação Tricolor nós vamos conseguir se Deus quiser esse feito! Um momento muito triste para nós da TUF, foi a perda de Marcionílio Pinheiro naquela triste tarde de 2005, no Rio de Janeiro. Foi após o jogo contra o Botafogo, na qual eles atiraram em nosso ônibus e nosso presidente veio a falecer, inclusive a TUF pode ser marcada antes do Marcionílio e depois do Marcionílio, ficou um marco... uma data inesquecível de forma trágica mas que nunca mais a TUF foi a mesma após aquele episodio, foi uma tragédia que abalou toda a Nação Tricolor. 

P: Considerações finais. Gostaria de mandar um recado para sua organizada e para a torcida em geral do nosso Leão?
R: O recado que eu mando pra TUF é que cada componente é tão importante valioso como o componente mais antigo da torcida e os mais velhos tem sempre que dar bons exemplos aos mais novos que estão entrando, botando na cabeça dele o papel, a importância dele na arquibancada e dizer que ele é só mais um ali, que a soma de todos nós é a soma daquele "mar branco" atrás do gol incentivando o clube que a gente ama! Dessa maneira, mostrando para a sociedade que torcida organizada é festa e não violência que a mídia sempre prega, a gente faz 10 festas, mas se tem uma confusão, ela tem mais repercussão que as 10 ações em prol das pessoas. Mas isso é uma coisa da sociedade "doentia" de ver o lado negativo das coisas, mas eu creio que se cada um botar a mão na consciência e fazer sua parte a gente consegue sim fazer uma TUF forte, fazer um Fortaleza forte, e voltar ser o que fomos em 2005, considerada a maior e a melhor torcida organizada do Brasil.

É isso, Tricolores! Agradecemos os esclarecimentos do Addler e logo mais voltaremos com outras matérias, com membros mais antigos das Torcidas! 


Autores:

Marcos Matheus (@marcosmatheuss)
Luca Laprovitera