A dor que muitos não entendem ~ Bora Leão
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domingo, 18 de outubro de 2015

A dor que muitos não entendem

Postado por Luca Laprovitera às 01:46:00 domingo, 18 de outubro de 2015

Hoje eu ia oferecer o texto para esses rapazes dessa montagem porca acima. Os quatro foram os que me incentivaram a torcida pelo Fortaleza. Não dormi, no estádio eu chorei, tive até cuidado para fazer isso de uma forma que nenhuma câmera me pegasse inclusive, gritei, sentei até no chão aos prantos, abracei os amigos Eduardo Damasceno e Victor Firmino, não deu, não foi dessa vez.

Ao fim do jogo me dirigi até a casa da minha noiva, bebi um pouco, relaxei, mas nada tirava minha cabeça do jogo. Está tarde, já se passam da meia-noite e já se comemoram os 97 anos do Fortaleza, o aniversário mais amargo da bela história desse clube. 

O que mais me entristece é que eu tinha em minha mente um texto preparado, agradecendo aos quatro pelo acesso e por quão bom é torcer Fortaleza. O acesso não veio, mas ser Fortaleza ainda é bom demais apesar dos pesares. Pelo lado do meu pai, o meu tio Ricardo Alves foi o responsável por manter minha paixão contra meu pai Fernando e meu tio Jorge, alvinegros. Do lado de minha mãe a maioria era tricolor, a começar pelo meu avô Orlando Laprovitera, filho de imigrante italianos, acolheu no país o Palmeiras por conta da nacionalidade, o Botafogo pelos seus anos vividos no Rio de Janeiro e sua grande e maior paixão, o Fortaleza Esporte Clube. Dos seis filhos, dois homens, ambos tricolores fanáticos, o mais velho, Miguel Laprovitera em homenagem ao nome aportuguesado do meu bisavô Michelle, e o mais novo, Orlando Júnior, responsável por me levar nas primeiras pelejas do Leão.

Orlando Júnior e Ricardo ainda estão bem, vivos, sofreram horrores hoje em frente a suas televisões já que não conseguiram ir. Meu tio Miguel, tricolor fanático foi fundador de organizada nos anos 80, foi até diretor do clube, sonhava em ver o time sair da Série C, lembro bem de um de seus últimos momentos lúcidos antes de falecer que ele dizia que queria ver o Leão subir, isso, ainda nos anos 90. Ele veio a falecer no dia 24 de Novembro de 1998, por conta de uma doença cardíaca que combatia a vários anos. Meu avô Orlando amava a Seleção Brasileira, me disse ainda lembro no dia 1º de Julho de 2002, após participar dos 15 anos da neta Natália que havia realizado quase todos os sonhos aos ver duas netas completarem essa idade com suas festas, viu o Brasil ser pentacampeão no dia anterior, agora só faltava ver o Fortaleza subir. No dia seguinte ele passou mal, vindo a falecer no dia 5 de Agosto. Meu avô não viu, mais de três meses depois o incrível acesso à Primeira Divisão, ele e meu tio não viram tantas glórias, não viram o tetra, nem o Leão vencer o campeão do mundo, nem muito do domínio no estado, não viram quando vencemos no Maracanã, Parque Antártica e calamos o Morumbi. 

Eles não viram tanto, e hoje eu realmente queria desejar isso a eles e não pude, fui cruelmente usurpado disso. Queria poder encher o peito e dizer que vi isso por eles, porque as pessoas não entendem e dizem ridiculamente: "É só um jogo", não, não é só um jogo, não é só uma paixão, torcer Fortaleza é um estilo de vida, é um amor sem horizonte. Como eu senti raiva dos gols perdidos, dos erros de passe ou arbitragem, da demora nas substituições, do apito final e da chuva de cadeiras, tudo aquilo me fez sentir tão longe deles, tão longe de mim. Sem o Fortaleza, me sinto perdido e escrevo isso não como um jornalista, apenas como um torcedor. Fiel, fanático, apaixonado que mesmo apesar da decepção irá ver até a Fares Lopes, que manterá o sócio, que continuará esperançoso em 2016 já que a cada ano nasce uma nova história. Se eu vou desistir? Nunca! Torcer pelo Fortaleza não é fácil, é místico. 

Por Luca Laprovitera