Uma década do sonho do CT e o que mudou ~ Bora Leão
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domingo, 15 de novembro de 2015

Uma década do sonho do CT e o que mudou

Postado por Luca Laprovitera às 18:32:00 domingo, 15 de novembro de 2015

Dez anos atrás o Fortaleza vivia sua melhor fase no futebol moderno. Era tri-campeão cearense, tinha feito a melhor campanha de um time cearense na Série A, por um ponto ficou fora da Sul-Americana, vendia o lateral-direito Amaral por valor recorde na época, tinha jogador entre os melhores do Brasileirão, parecia se firmar como um novo grande no país, veio então a audaciosa ideia do Presidente Ribamar Bezerra em construir um centro de treinamento para o clube, a ideia partia ali, no fim de 2005.



O projeto ganhou uma maquete em 2007, até ali, diversas campanhas de sacas de cimento, arrecadação de dinheiro e derivados já tinham sido feitas, na época o time era presidido por Marcelo Desidério. O projeto do CT ficou pelas mãos do IFEC, comandado por Ribamar, o prédio só ficou pronto em 2010 e foi construído com a ajuda da torcida.


Quando eu era criança, o Ferroviário era o grande revelador, nomes como Iarley, Mota, Jardel e cia saiam do Tubarão da Barra, mas o Fortaleza conhecido como "Clube da Garotoda" e famoso pelas escolinhas, eram o exemplo de revelação de jogadores no passado, nomes como o atacante Erandir, Amilton Rocha e Amilton Melo, Geraldino Saravá, Mariano, Louro, Facó, Cícero Capacete, Zé Paulo e Pedro Basílio. No fim dos anos 90, um novo investimento trazia um dos maiores craques do futebol cearense ao profissionais, Clodoaldo, nos anos seguintes alguns nomes também teriam sucesso, sendo aqui como o volante Erandir, várias vezes campeão cearense e Campeão Brasileiro em 2001 pelo Atlético-PR, ou fora, como os atacantes Júnior Pipoca (ex-dupla Ba-Vi)e Joeano (famoso no futebol português).

Com os bons frutos do início da década passada vários jovens valores foram aparecendo, primeiro o lateral-direito Cícero que foi o primeiro atleta do estado a ser convocado para uma Seleção Brasileira, a sub-16 em 2004. No ano seguinte foi a vez de Amaral que ainda passou pela Sub-20 onde jogou o Mundial e foi campeão Sul-Americano, atuando por Palmeiras, Corinthians e Atlético-MG. O atacante Ari que foi artilheiro do Campeonato Sueco no Kalmar, campeão holandês pelo AZ Alkmaar e atualmente é cotado para se naturalizar russo e jogar a Copa de 2018. Osvaldo que jogou pelo São Paulo e Seleção Brasileira principal, hoje no Fluminense, o meio-campo Bismarck destaque da Campinense campeã nordestina em 2013, Douglas, goleiro do Boa Esporte-MG e Campeão Baiano pelo Vitória, os volantes Leandro e Rogério com boas passagens no futebol nordestino.

Veio então a dupla Bambam e Adaílton, o primeiro não deu muito certo e o segundo tempo destaque no Vitória e Paraná, hoje está no tradicional Jubilo Iwata do Japão, e está a uma vitória de levar o time de volta à elite do país. O último suspiro veio com Manoel Chuva, o garoto foi para a Seleção Sub-16, até jogou nos profissionais, mas ainda busca se firmar no futebol. 

De alguns anos para cá, os garotos da base perderam espaço no time principal, em 2013 e ano passado o zagueiro Max Oliveira, o volante Walfrido e o meia Edinho subiram ao time principal e viraram titulares. Max sofreu com contusões e perdeu espaço, Walfrido foi negociado e teve boa passagem pelo Ituano-SP, outra conturbada pelo Criciúma-SC e está sem clube, dispensado antes mesmo do fim da Série B. Já Edinho não foi bem no Avaí-SC, e foi para o Paysandu-PA onde é uma espécie de 12º jogador.

Outros dois garotos saíram das nossas bases e podem fazer certo sucesso. Um deles nunca sequer jogou nos titulares, que é o atacante Everton "Cebola" que está sendo sondado pelo Manchester City da Inglaterra e hoje joga no Grêmio-RS. O outro, o meia Eduardo chegou a jogar pelo time principal em 2011 e 2012, mas acabou negociado a preço de banana com o Fluminense, teve boas passagens pelo Ceará ano passado e esse pelo Bahia, jovem com apenas 22 anos tem futuro sem pouco ter tido chances aqui.

Chegamos em 2015, em quatro torneios de base na temporada, não conseguimos um título sequer e chegamos apenas em uma final. Na Fares Lopes, nosso time de base até conseguiu fazer frente ao Ferroviário, mas ontem tomou um banho do Guarany de Sobral dentro do Alcides Santos, o Guarasol com 7 jogadores do sub-20 no time titular. Por outro lado, nossos rivais com o time sub-20 empataram com profissionais do nosso clube, os dois principais jogadores na campanha da Série C em campo. 

Hoje, dez anos depois do início da ideia do CT, as categorias de base perderam valor no Fortaleza. O clube da garotada vem deixando sua alcunha de lado, não formamos e nem colhemos os frutos enquanto rivais de região se utilizam cada vez mais disso. A culpa não é da atual diretoria, estão inclusive mudar essa situação com a contratação Luciano Reis para coordenar nossas bases, mas claro, com anos de descaso, eles só pegaram o resultado e agora correm contra o tempo para mudar essa dura realidade.

Por Luca Laprovitera