Vamos falar das Organizadas? ~ Bora Leão
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terça-feira, 22 de março de 2016

Vamos falar das Organizadas?

Postado por Luca Laprovitera às 22:45:00 terça-feira, 22 de março de 2016
TUF (acima) e JGT (abaixo), as duas principais organizadas do Fortaleza
Hoje seis torcedores foram punidos por conta das brigas entre torcedores (veja aqui) na partida entre Fortaleza e Sport, pela Copa do Nordeste. TUF e JGT foram atribuídas como as causadoras da confusão, foram inclusive suspensas dos estádios e a paciência de muitos torcedores com as organizadas esgotou. 

As organizadas não assumem responsabilidade pelos casos, o clube também não quer e nem deveria, os indivíduos penalizados ainda são uma ínfima fração dos realmente envolvidos dentro e fora dos estádios das brigas, confusões e ultimamente até assassinato de outros membros das mesmas. Para algumas pessoas, organizadas virou sinônimo de facção, gangue, crime organizado, para alguns elas ainda são um meio de amor ao clube, mas temos que mudar um pouco da visão de como se faz e as entendem. 

O livro "Futbologías. Fútbol, identidad y violencia" do sociólogo argentino Pablo Alabarces, escrito em 2003 fala que o status de violência traz mais atenção as barras (espécie de organizadas difundidas na América Latina): "Eles são atraídos pela vestimenta, força e coesão do grupo, relações verticalizadas, estilo de vida, prazer da violência. Enfim, pelos aspectos estético-lúdico-simbólicos disponibilizados à massa jovem, intimamente ligados ao modelo de sociedade do consumo" - definiu Alabarces em seu livro. As organizadas são um belíssimo estudo social. Sua organização e suas linguagens ainda sofrem muito preconceito dentro do nosso país, inclusive dentro delas mesmas. 

As organizadas, especialmente as maiores não são formadas apenas por seus associados e sim por muitos daqueles que trajam seus materiais, convivem e usam as formações sociais das mesmas. Não é apenas ser TUF e JGT, eles tem de vivê-las. Na maioria, são jovens e residentes de bairros periféricos da cidade. A linguagem social nesse caso é muito importante e tem que ser trabalhada com muito cuidado, já que muitos deles estão inseridos em rotinas violentas dentro de seus bairros. 

Movimento Popular Coral do Santa Cruz à direita e Gaviões da Fiel do Corinthians à esquerda protestando
(Fotos: Rodrigo Baltar e André Lucas Almeida/Futura Press)
Nas últimas semanas a Gaviões da Fiel, organizada do Corinthians começou a protestar de forma política e futebolísticas. No clássico contra o Náutico, a Movimento Popular Coral do Santa Cruz também foi ao mesmo viés ao criticar a Rede Globo e a CBF. Em tempos nebulosos das organizadas no estado, uma mudança de pensamento, uma visão mais politizada, tentando levar essas demandas aos seus membros, associados e seguidores, clamando pelas necessidades sociais ou futebolísticas escolhidas por eles seria uma boa forma de mudar essa imagem. Trazer para dentro delas um debate que agrega, que forma uma nova linha de pensamento, que além de tudo, traga retorno aos membros, a organizada, ao clube e a sociedade como um todo. Para muitos isso pode parecer apenas mais um discurso esquerdista, para mim é uma forma de não criticar, mas quem sabe ajudar em um novo caminho, porque não adiantou tirá-las do estádios, nem punir a entidade, mas adianta ajudar a dar novos rumos a ela. 

Protesto da Gaviões da Fiel no dia 11 de Março (mais informações):


Por Luca Laprovitera

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