A fisiologia como fator importante no futebol aos olhos de Edson Palomares ~ Bora Leão
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sábado, 11 de junho de 2016

A fisiologia como fator importante no futebol aos olhos de Edson Palomares

Postado por Unknown às 12:46:00 sábado, 11 de junho de 2016
Edson na sua apresentação em dezembro no Fortaleza (Foto: Luca Laprovitera)

Gerente de futebol do Fortaleza entre 2007 e 2008, e a partir de dezembro do ano passado assumiu a Gerência de Fisiologia do clube. Edson Palomares é de Curitiba, tem 49 anos e também muita experiência e história para contar. Além de ser fisiologia do clube, é coordenador do curso de educação física e professor da Estácio FIC, e membro do comitê Olímpico Brasileiro para as Olímpiadas de 2016. No mais, ministra alguns treinamentos de atletas em particular, mas o seu principal foco é o Fortaleza.

Tendo experiência nas bases do Atlético-PR e Paraná e treinador do Saturno da Rússia por seis anos, e possuindo quase 50 publicações em artigos e livros na área de treinamento e organização direcionadas a futebol, Edson contou ao Bora Leão a importância da fisiologia no esporte e também o que o torcedor precisa saber e conhecer sobre esse departamento conhecendo o que isso pode influir dentro das quatro linhas. Além disso, falou um pouco sobre as bases e o que faltam para elas voltarem a brilhar e também quais são os elementos principais para se conquistar o acesso ou até mesmo o título brasileiro.

Confira o bate-papo com o fisiologista:

BL: A Fisiologia era um departamento que até alguns anos atrás era um pouco esquecido no futebol nacional, muitos torcedores ainda não entendem a real função dele. O que faz o fisiologista e como ele influi no rendimento do atleta?

- A Fisiologia é uma ciência que como você falou, que depois dos anos 90, ela ficou mais forte no futebol mundial. Na Copa dos Estados Unidos, a gente começou a ter a presença de fisiologistas mais frequentemente na imprensa, na mídia, principalmente, europeia e o Brasil seguiu os mesmos passos. O fisiologista é uma pessoa responsável em aferir as capacidades físicas do atleta, ou seja, codificar, dizer pro preparador físico o quanto ele (o atleta) está bom em força, o quanto ele está bom em velocidade, o quanto ele está bom em resistência e baseado nisso, o preparador físico vai organizar os seus treinos. Aumentar a intensidade. Por exemplo, se eu conversar com o professor Glidston ali e o professor Celso e falar "O time tá perdendo resistência demais. O time não resiste, chega 20 minutos do segundo tempo tá caindo demais." Vamos tentar achar um outro tipo de treinamento para melhorar a resistência, força, velocidade e impulsão.

BL: Falando um pouco do Fortaleza, o que temos de vantagem e desvantagem a nível nacional de Fisiologia Esportiva no clube?

Vantagem do Fortaleza hoje, eu diria que temos muito equipamentos que muitos clubes não têm. Existe uma preocupação da diretoria, da presidência em adquirir equipamentos. Assim que eu cheguei tanto o Léo, quanto o Marcelo "O que é que tá faltando na fisiologia?" Eu fui atrás desses equipamentos. O Léo perguntou e a gente foi passando essa relação. O Marcelo na diretoria, dentro das suas possibilidades, tem tentado adquirir o máximo de equipamentos que nós pedimos. Nós chegamos no departamento de fisiologia, praticamente não tinha nada. Nós só tínhamos o equipamento de secar, de lactato e só. Hoje, nós temos dinamômetro, já está chegando a câmera. Ainda falta alguns equipamentos. Tipo: A gente precisa de uma ergoexpirometro pra verificar a capacidade respiratória do atleta. Você já deve ter visto. São máscaras colocadas no atleta enquanto ele tá correndo em uma esteira ou quando ele tá em uma bicicleta. Verifica se é a frequência cardíaca, limite do corpo do atleta. Nós não temos isso aqui. É um equipamento caro, mas pro clube, o Fortaleza, isso não pode ser considerado caro, é uma necessidade. Tendo esses equipamentos, a gente começa a entrar na área de Primeira Divisão em termo de fisiologia, porque hoje a fisiologia de Primeira Divisão tem muitos recursos. Então, acredito que a gente tá encaminhando tendo algumas vantagens em relação a Série C, mas ainda onde a gente quer chegar, Série B ou Série A, a gente tem que ter equipamentos a adquirir..

BL: Na sua apresentação em Dezembro, você citou que o Barcelona reduz a velocidade média do começo para o fim da partida por 2%, no Brasil a média fica entre 12 e 10%, e que você queria baixar dos 10%. Você já atingiu esse nível ou ainda está em busca?

- Não, não atingimos não. Então, vamos dar uma atualizada. O índice que o Barcelona, Real, Manchester, Bayern. Eles trabalham com índice que vão de 6% a 2%, a média é 4% e nós tivemos aí a dois anos atrás, o Barcelona atingindo essa marca que é considerada fantástica, ou seja, após 90 minutos o atleta tá quase como começou fisicamente. Perdeu 2% somente. Isso realmente é extraordinário. Eles têm uma tecnologia, conhecimentos que nós ainda não temos e conseguiram fazer isso. No Brasil, a nossa realidade é entre 10 e 12%. Nós tivemos no ano passado o Corinthians que chegou próximo de 8%, menos de 9, entre 8 e 9%, que foi um marco pro futebol brasileiro. O Corinthians foi realmente impressionante. Ele simplesmente era muito diferente em campo das outras equipes com a ajuda do preparo físico aliado a um técnico experiente.   Então, o nosso objetivo é tentar chegar próximo a esse 8% que é uma realidade do futebol brasileiro. Não tô criando nada impossível. "Ah, mas a gente vai se comparar ao Corinthians?" A gente tem que se comparar, a gente tem que sempre se comparar aos melhores e nunca aos piores. Os piores eu quero nem saber os resultados deles. Eu quero saber de quem eu tenho que tentar chegar ao nível no que ele é melhor, ele é o meu referencial. Também não adianta eu sonhar com o Barcelona, porque ele ta fora da minha realidade.

BL: Como chegar ao nível de intensidade de um Barcelona? Quais áreas devem ser trabalhadas junto a Fisiologia para isso?

- Junto a isso tem outras áreas, uma área principal a isso é a nutrição. O nutricionista faz parte do departamento de fisiologia, ele tem uma responsabilidade muito grande em controlar massa corporal, gordura corporal do atleta, verificar se o atleta não ultrapassou do peso. Ele controla isso. Então, o Fortaleza tem como meta para os seus atletas 10% de percentual de gordura. Claro que podemos ter um com 9, outro com 11, variar um pouco, mas temos que ficar nesse padrão, porque esse é padrão recomendado para atletas de futebol. Por aqueles que trabalham e estudam, eles falam que o atleta com 10% de gordura, ele consegue ter mobilidade, uma maior resistência. Então, esse é o percentual que com certeza o Barcelona, Real e essas equipes trabalham. Nós tivemos o Anselmo, que perdeu 6,5 kg no jogo contra o Flamengo. O Castelão é um estádio onde o centro do gramado é muito quente. Então, pro atleta é péssimo, não é bom lugar pro desporto, porque fica uma espécie de uma panela de pressão ali dentro. Tudo centralizado no meio do gramado. A perda hídrica é muito grande. A perda da água, a água tem, a gente pode levar as garrafinhas, mas o problema é que ele perde sais minerais pra isso, sais que saem do corpo dele que ajudam a contração muscular. Então o nutricionista se preocupa com isso, evitar que esses problemas aconteçam.

BL: Alguns dias antes do início da Série C, tanto você quanto o técnico Marquinhos Santos falavam de uma queda no rendimento físico dos atletas para chegarem na melhor condição física em um possível mata-mata. Como funciona essa redução? Quais os níveis mais afetados e como eles influem em campo?

- Tanto o discurso do Marquinhos quanto o nosso discurso tá afinado que nós já sabemos, temos conhecimento científico de que isso acontece uma queda. Nós temos que ter uma programação, temos que ter um acompanhamento pra que essa queda não aconteça nos momentos mais decisivos, as finais e no acesso. O acesso ele faz parte de um dos objetivos do Fortaleza. O foco dado antes é que tínhamos que lutar pelo acesso. Marquinhos de forma inteligente mudou o foco "Vamos ser campeões". Pra que isso seja uma passagem menos, psicologicamente, traumatizante para os nossos atletas. Durante 7 anos que buscamos o acesso, sempre se fala do acesso. "É nesse jogo, é nessa partida que vamos subir". Aquilo vira uma grande final, o atleta entra nervoso. Não, essa é só mais uma etapa, a gente quer ir pra final, a gente quer ser campeão, colocar a estrela de campeão brasileiro aqui (no escudo). Então, ele (o jogador) vai fortalecendo o corpo dele pra quando ele chegar nessa primeira partida de mata-mata das três que nós teremos. Ele se sinta o que? Invulnerável. É isso que nós temos que posicionar fisiologicamente para ele. O que é o principal? A resistência de potência, tem que tá muito resistente.

Sobre o rendimentos do atletas caírem diante da primeira partida da Série C, Edson Palomares explicou: 

- Agora, a gente tá no momento que o treinamento caiu bastante, porque os nossos atletas, eles não conseguem ficar o ano inteiro no mesmo ritmo. Isso é uma ilusão. Então, os torcedores têm que entender o que a fisiologia faz, porque eles acreditam "Ai não, a equipe agora caiu. Jogou mal contra o River, já começou de novo a falhar" Não é isso.Tanto agora, ainda mais em dois ou três jogos, nós teremos esse problema. Os nossos jogadores não vão está 100 %, porque eles tiveram depois dessa série de jogos. Daí você pensa "Edson, tem uma semana de intervalo agora. Por que não é melhor o rendimento se eles não descansam com mais?" Na verdade, a máquina vinha jogando três dias. Como baixou pra dois, eles têm que se adaptar a esse novo intervalo. Isso leva em cerca de 20 dias que me dá em torno de 3 ou 4 partidas. Após essas três ou quatro partidas, a equipe começa de novo um ritmo diferente que é o tempo do corpo do atleta se adaptar. Em agosto, vou avisar agora para você, a gente vai ter outra queda. Essa outra queda é necessária e importante, porque quando a gente baixar de novo em agosto com duas ou três partidas que a gente vai sofrer um pouquinho. E aí a gente sobe pra chegar no começo de novembro que é o nosso principal objetivo com tanque cheio, com carga cheia, munição total, que é onde nós precisamos.

BL: Então, vocês trabalham junto com a psicologia também? 

- A cerca de um mês nós temos uma psicóloga que faz parte do nosso grupo. Ela tá participando dos trabalhos, o que eu diria é que ela tá fazendo é reconhecimento, ela tá acompanhando os treinos, conversando individualmente com os atletas. Isso é muito importante.

BL: Vocês não tinham isso?

- Nós tínhamos no clube, eu fiquei sabendo, não tava no ano passado aqui, momentos que o psicólogo vinha e fazia uma palestra motivacional. Isso não é o caso. Hoje, o psicólogo no futebol é um dos principais funcionários. Não tem como a gente viver sem o psicólogo em um clube, que acompanha a rotina, que olha pro jogador e sabe se o jogador não tá bem hoje, que olha pro treinador e sabe se esse treinador não tá legal hoje. Então, nós precisamos, o psicólogo hoje tem um papel central. Só pra você ter uma ideia, a Alemanha veio com 7 psicólogos. O 7x1 me parece que foi pra cada psicólogo. Uma equipe com 7 psicólogos e coincidentemente eles fizeram 7 a 1 na gente. Teve um atacante da Alemanha que veio com um psicólogo só pra ele. Veio um psicólogo que observava a imprensa. Não adianta se sentir fisiologicamente se sentindo um touro, mas chega lá e leva um gol. Sai perdendo de 1x0 e desmancha psicologicamente. Ele tem que ter essa capacidade de mobilização, não adianta só o físico. Você pode ganhar, leva um gol, daí você perde a capacidade de reação, porque psicologicamente tá fraco. É esse trabalho que vamos ter nesse ano.

BL: Nós não gostamos muito de comparação, mas no início do ano como o treinador Flávio Araújo se era utilizada uma marcação individual, em um 4-2-3-1. Hoje com Marquinhos Santos se usa uma marcação em zona no 4-1-4-1, com algumas variações como o 3-6-1, o 5-4-1 e até mesmo 3-3-1-3. Como os atletas responderam a essas mudanças no seu departamento? Porque pelo menos em vista, eles parecem cansar menos?

- Primeiro realçar, quando o professor Flávio chegou junto com o Pedro Henrique, que é o preparador físico, eles tinham um grupo heterogêneo demais, era um grupo que tava com um preparo físico diferenciado, vindo de clubes diferenciados. Alguns voltando de férias, é um momento delicado começo de temporada. As lesões são sucessivas que é algo normal. Você aumenta muito o trabalho no departamento médico e o professor Flávio enfrentou esses problemas. Na concepção dele, eu acredito, ele optou em usar sistemas mais estáticos com poucas mudanças, com poucas variações pra poder observar o desempenho desse atletas, penso eu que foi isso que aconteceu. Já o professor Marquinhos, que chegou um pouco depois, diminuíram essas lesões gradativamente, o Glidston vem com outro trabalho na preparação física, um trabalho mais preventivo e interessante. E aí o que aconteceu? Nós começamos a ter a possibilidade do Marquinhos tem uma estabilidade na preparação física. "Opa, os atletas já estão diminuindo as lesões, então vamos começar a brincar, a variar com eles" Então, ele conseguiu dentro da inteligência, da capacidade que ele tem de criação, ele começou a verificar que atletas determinados poderiam ter funções diferenciadas. O que é importante? A fisiologia testa esses atletas e mostra resultados pra ele e pro professor Glidston, pro Edson Borges que é auxiliar dele, pro Celso. Eles olham ali a capacidade do atleta, eles verificam a velocidade, a força, a resistência, e começam a entender que pela aquela posição pelo resultado que ele apresenta, ele pode desempenhar a função. Então, ele começa a trocar as peças dentro do tabuleiro. Ele começa a tirar do convencional. Isso no futebol brasileiro, pra grande maioria dos treinadores dos adversários será um grande problema, eles vão enfrentar um capitão, chefe da nossa equipe, muito criativo, que sabe se sair de situações que são constrangedoras. 

BL: Nesse ano vimos garotos das categorias de base subir aos profissionais como os volantes Bruno Filgueiras e Nonato, o meia Wandson, e os atacante Augusto e Matheus Vinícius. Falta algo a esses atletas no ponto de vista fisiológico?
Falta. O Fortaleza tem um Centro de Treinamento e eu conversei com algumas pessoas ligadas, como o Jairo que é diretor da base. Na verdade, temos uma distância muito grande entre o profissional e a base. Isso não é culpa do Fortaleza. Isso é uma contingência pelo Fortaleza dedicar todos os seus esforços ao acesso, ele quer voltar a Segunda Divisão. Então, fica muito difícil dar o que a base precisa. Muito desses recursos (equipamentos e dinheiro) são destinados ao profissional. Então, eu acredito com o nosso acesso, é a tendência da base melhorar bastante. Nós já temos uma estrutura física fantástica, profissionais que lá trabalham, mas ainda temos o distanciamento. Nós precisaremos um fisiologista lá que tivesse linkado comigo. Nós precisaremos de um nutricionista que estivesse linkado com o nutricionista do profissional. Pra que nesse link eles pudessem se adequar aquilo que o nosso profissional tem. E que eles pudessem vir quando pudesse treinar com o nosso profissional já quase no mesmo nível do profissional. Agora, se eles vinherem com um nível muito abaixo, muitas vezes eles conseguem nem participar dos treinos. Então, esse abismo tem que acabar, espero acabar. O Fortaleza tem voltar a brilhar nas bases, que ela é o nosso alimento principal.

BL: Você trabalhou nas bases do Atlético-PR em 2007, um dos principais reveladores do país. O Fortaleza tem uma categoria de base que já revelou bons nomes a nível regional, nacional e até mesmo internacional na última década, mas não vem obtendo bons resultados ultimamente. Uma das reclamações é o preparo dos atletas, na Copa São Paulo, o time levou 3 dos 4 gols na competição após os 34 minutos do segundo tempo. O que normalmente causa isso e o que pode ser feito para equipes que sofrem com isso?

Eu tive a oportunidade de trabalhar em três momentos com categorias de base. No Paraná Clube, no Atlético-PR e também a gente teve uma passagem no Saturno lá da Rússia. Você tem o profissional aqui, a equipe da base tá um degrau a baixo e não dois ou três degraus abaixo. Quando você vai para a Copa São Paulo, as equipes levam atletas que estão pronto para jogarem na equipe profissional. O Corinthians que é o recordista no número de vitórias na Copa São Paulo, os jogadores já estão treinando a um ano que vão jogar a Copa São Paulo. Então, eles estão praticamente com o ritmo lá em cima. O que acontece é que eles estão em um cruzamento de uma equipe que vem treinando na base somente e que pega uma equipe dessa de profissional, é um atropelo. É muito grande. A diferença acontece, goleadas acontecem. No caso do Fortaleza, não tivemos uma goleada vexatória, uma coisa anormal no futebol, mas percebemos que nós poderíamos ter preparado atletas que pudessem ter a possibilidade, melhor. Integrar os atletas ao grupo. Mas como nós estamos acabando a nossa participação no mês de novembro. Os nossos atletas são liberados em dezembro e a Copa São Paulo acontece em janeiro, então eles não treinaram com o profissional. Como nós estamos em novembro ou outubro, nós estamos naquela fase final, a mais importante (a do acesso), não dar pra ficarmos agregando jogadores da base. Então, o que eu te digo é que a situação de está na terceira divisão até nisso influencia. Até nesse ponto tem levado problemas pra base, porque não tem mais como interagir com o profissional.

BL: Para finalizar, hoje você tem respaldo da Diretoria e da Comissão Técnica para desenvolver seu trabalho no Fortaleza. Quais seus planos junto ao clube a curto e a longo prazo?

Curto prazo: O título da Série C, esse é objetivo maior. Esse objetivo tá desde do roupeiro até o presidente. Você vai encontrar a mesma resposta. Tá sendo tirada essa ideia do acesso. Acho que a imprensa tem que colaborar com a gente. A imprensa tem que dar isso ao torcedor. O Fortaleza tem que buscar o título, porque pelo tamanho dele não pode buscar só pelo acesso. Ele não pode deixar que ali é o ponto final dele, porque ele mede força até ali, ele não ver o próximo adversário. Isso em provas de atletismo, por exemplo, o Bolt não corre apenas cem metros, corre sempre 110 metros. Se ele correu os 100 metros, ele começa a diminuir nos 90, ele tem que diminuir nos 100. Então o Fortaleza não pode pensar no acesso, porque ele vai ta perdendo todas as forças dele ali. 

Médio prazo: Está na Segunda Divisão de forma estável, ou seja, não chegar na Segunda Divisão como uma equipe fraca. Manter o mesmo espírito que tá sendo mantido agora. Nós estamos numa terceira hoje no espírito de segunda, ou seja, nós estamos como já estivéssemos na Segunda Divisão. O pensamento da Diretoria é esse: Quando estivermos na Segunda, nós temos que ter um pensamento de Primeira. E aí torna-se possível o longo prazo. Conquistar o título da Segunda Divisão e não o acesso.  

Longo prazo: Sem dúvidas nenhuma é a nossa Primeira Divisão, que é o lugar do Fortaleza. Pro Estado seria muito importante. Nós temos um Castelão pedindo Primeira Divisão. Eu acredito que até os políticos deveriam repensar essa condição, auxiliar os dois clubes da cidade, porque se nós tivessemos tanto o Ceará quanto o Fortaleza na Primeira Divisão, nós teríamos 38 jogos no ano. 19 deles e 19 nosso. Isso movimentaria a cidade em termos turísticos, em termos de atratividade. Seria algo fantástico. Mudaria o ambiente da capital.