Quando os números mentem ~ Bora Leão
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domingo, 29 de janeiro de 2017

Quando os números mentem

Postado por Paulo Rodrigo às 23:07:00 domingo, 29 de janeiro de 2017
(Foto: Mateus Dantas/O POVO)
54% de aproveitamento, uma derrota em oito partidas, vitória em clássico, apenas quatro gols sofridos, invicto - mesmo enfrentando times de Série A e 1 título. Analisando friamente qualquer treinador adoraria ter números assim em apenas oito jogos, mas nesse caso, em bola jogada, os números mentem.

Os dados citados acima são da campanha de Hemerson Maria no comando técnico do Fortaleza. Em oito jogos são: 3 vitórias, 4 empates e apenas uma 1 derrota. Com ele, o Fortaleza marcou seis gols, ficando com uma média de 0,7% gols por jogo, o que já indica certa deficiência ofensiva. Em contrapartida, sofreu apenas 4 gols, uma média de 0,5% gols sofridos, o que não é ruim. Mas ao levarmos em consideração apenas os jogos de 2017, a equipe tomou três gols em cinco jogos, sendo dois numa única partida.

Seu esquema 4-3-3 até agora nada eficiente, contou com um leque de jogadores nas mais variadas posições. Gastón Filgueira e Allan Vieira já foram laterais, volantes e até mesmo pontas. Jefferson já foi volante e agora lateral. Heitor, que é zagueiro, chegou a atuar como volante diante do Horizonte, coisa comum em elencos qualificados. Mas trazendo para a realidade Tricolor, parece mesmo falta de opção ou confusão por parte do treinador.

Nos últimos meses, a imprensa brasileira comenta muito o jogo de aproximação do treinador Tite frente a Seleção Brasileira, uma base do futebol moderno, de reduzir espaços, inclusive a seu favor. No Fortaleza isso parece não acontecer, pelo contrário, nota-se um time espaçado, de linhas longas, distantes, onde os jogadores comumente não tem com quem jogar, sem criar jogadas, triangulações, jogadas trabalhadas, sem vida.
Num lance onde Rodrigo Andrade buscava a jogada ofensiva, Vacaria não aproximou para receber no espaço livre. Em consequência, o armador teve que voltar o jogo. 
Como citado anteriormente e exemplificado na imagem acima, é comum essa falta de aproximação entre os jogadores, culminando em pouca criação e um alto índice de passes errados. Além disso, é possível notar tal deficiência de forma ainda mais clara com as constantes tentativas do goleiro Marcelo Boeck em fazer ligações diretas com o ataque.

A verdade é que, aparentemente, nem mesmo os jogadores entendem a filosofia de trabalho imposta pela atual comissão técnica. O encaixe, apesar de requerer tempo, já devia estar pelo menos encaminhado. Mas passa longe disso. Considerando apenas a data que elenco passou a treinar em sua plenitude, passaram-se 27 dias. Com alguns atletas, inclusive, tendo apenas um dia de folga. O lema combativo, aguerrido, vibrante e forte tem seu peso. Mas o princípio de tudo tem nome: organização.