A proibição na venda de bebidas alcoólicas realmente diminuiu a violência nos estádios? ~ Bora Leão
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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A proibição na venda de bebidas alcoólicas realmente diminuiu a violência nos estádios?

Postado por BORA LEÃO às 20:29:00 quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Torcedores compram cerveja no bar da Arena Castelão
durante a Copa do Mundo de 2014 (Foto: Roberto Leite)
Desde 2010, quando a lei de proibição da venda das bebidas alcóolicas nas praças esportivas entrou em vigor, não só a violência nos estádios não diminuiu como cresceu. Nos últimos quatro anos o Brasil viu um crescimento vertiginoso nos casos de violência, se tornando o líder mundial nesse aspecto tão negativo, assumindo desde 2014 a liderança do ranking em mortes no estádio.

A proibição também trouxe impacto significativo nos públicos, a média do Brasileirão da Série A em 2009 foi de 17.807 pessoas por jogo, no ano seguinte já com a lei, a média foi de 14.800, só voltando a figurar na casa dos 17 mil em 2015, já no pós-Copa, com a revogação da lei em algumas poucas Arenas feitas para a Copa do Mundo e com restrições, como no Mineirão, onde o torcedor não pode consumir a bebida nas arquibancadas, apenas nos corredores de acesso, em frente ao bares.

Brigas entre torcedores na final do Campeonato Cearense
de 2015 (Foto: Yngrid Matsunobu) 
Alguns gostam de tratar a situação como segurança pública, como se a cerveja fosse à causa e sua proibição à solução das brigas no estádio, algo que vimos que não passa de falácia. O que deveria ser tratado como segurança pública é a organização da entrada no estádio, agravada pela proibição, forçando o torcedor a beber fora da Arena, entrando a minutos do jogo, causando tumultos.

Como não podem ingerir a bebida dentro do estádio, os torcedores bebem mais, mais rápido e muitas vezes consomem produtos mais fortes para terem maior efeito. Caso houvesse venda no interior do estádio, o torcedor não teria pressa no consumo e como estaria ocupado vendo a partida, não se deslocaria tanto, para não perder nenhum lance. Já apelando pelo lado da segurança pública, já que alguns alegam a paixão e que o torcedor não estaria na sua melhor condição, deixa-lo consumir e se embebedar fora do estádio é mais perigoso, onde pode haver um cruzamento com alguma torcida rival e sem o controle da polícia.
Capa do jornal Meia Hora no dia 24 de setembro de 2015
Vamos a parte que é melhor de se falar, de entretenimento. É notório e de conhecimento geral que o estádio hoje concorre com a televisão, além de outras opções de lazer como shows, festas, cinema, teatro, shoppings e derivados. Muitas vezes o jogo sequer é atraente, as condições de muitos estádios não são as melhores, o ingresso não é lá tão acessível a maioria, tem lanche, tem estacionamento e nem a certeza que você volta com sua carteira para casa ainda dificulta. A cerveja é um alívio no meio disso tudo, enquanto os clubes se matam e procuram novas alternativas para trazer o torcedor ao estádio, a cerveja já é uma medida que ajuda muito, ajudando nos seguintes pontos:

1) Parceria com alguma cervejaria ou empresa de bebidas alcoólicas na venda e distribuição no estádio, patrocínio ou naming rights.
2) Ganho no público, já que ninguém deixa de ir ao estádio porque vende bebida, mas deixam de ir se não vende.
3) Para os clubes que tem participação no bar, o lucro aumenta, o consumo aumenta e o retorno financeiro para o clube também.
4) Oportunidade de ações de marketing como venda de copos, cervejas personalizadas, utensílios destinados a esse grupo consumidor e programas de fidelização.
5) Participar e crescer o ganho do clube com o programa “Fundo Brahmeiro”. O programa faz parte do “Futebol Melhor” da Ambev que você já deve ter visto e acompanhado o Torcedômetro. A cada Brahma vendida, uma pequena porcentagem vai para um fundo onde a cervejaria ajuda na reforma ou construção de alguma obra estrutural do clube, como o novo edifício da Academia do Futebol do Palmeiras. Confira o regulamento do Fundo Brahmeiro (Clicando Aqui).

Então é uma boa hora de parar de ter preconceitos e opiniões pré-formadas sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, e pensar da melhor forma sobre trazer o torcedor ao estádio. A violência infelizmente já está aí e não vai ser a proibição das bebidas alcoólicas que irá mudar, mas a sua liberação pode representar o início da retomada do torcedor as arquibancadas. 


Por Luca Laprovitera