15 anos de um sonho ~ Bora Leão
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domingo, 26 de novembro de 2017

15 anos de um sonho

Postado por Luca Laprovitera às 02:36:00 domingo, 26 de novembro de 2017
Fortaleza entrando em campo, em Jundiaí.
(Foto: Reprodução/Youtube)
Depois de alguns bons meses me dou a liberdade de escrever novamente pelo Bora Leão, longe de críticas ou qualquer coisa do tipo hoje me dou ao luxo de recordar, de relembrar com carinho um dos dias mais felizes da minha vida, o dia 26 de novembro de 2002. Eu tinha treze anos e pela primeira vez na minha vida eu vivia um sonho.

Não preciso dizer que a Série B inteira foi como um sonho. PV sempre lotado, Clodoaldo endiabrado, Vinícius matador, Jefferson pegando tudo, Erandir, Dude, Angelim sendo monstros, Chiquinho e Sérgio sendo pulmões, Marcão a segurança, o magrinho Kel era a surpresa do meio, Juninho o motorzinho, além de nomes como Mazinho Loyola, Alysson, Finazzi, Carlinhos, Dino, e tantos outros nomes que foram importantes em campo naquela caminhada.

Para expressar bem o que tudo aquilo representou preciso voltar um pouco na fita do tempo. Como disse ali em cima, eu tinha 13 anos, logo eu e uma imensa geração que começara a torcer Fortaleza no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 jamais havia visto o time na Série A, na verdade, não tinha visto nem um clube cearense ter chances reais de disputá-la desde então.

O bi-campeonato acalentava bastante os corações tricolores cansados de sofrer nos "sete anos de purgatório" que foram entre 1993 e 1999, o Fortaleza estava estabelecido com um clube de Série B, havia feito ótima campanha em 2000 e em 2001 foi bem, apesar de ter perdido a classificação para a 2ª fase contra o Nacional nos acréscimos, em Manaus.

O início foi bom, vitória fora sobre o América-RN treinado pelo velho Ferdinando Teixeira, por 1x0. O Tricolor de Aço ainda venceria outras duas seguidas contra o Vila Nova-GO em casa por 1x0 e o Americano de Campos por 2x1 fora, até perder para o União São João, em Araras-SP. Em casa, o Fortaleza foi um completo absurdo, fez 41 dos seus 61 gols na competição como mandante, venceu 13 das 15 partidas, empatando duas, contra o Caxias em 1x1 na 1ª Fase e o 2x2 contra o Jundiaí na semifinal. Gols sofridos? Apenas 9, imbatível! Goleou Bragantino por 6x1, Criciúma por 4x1, XV de Piracicaba por 4x0 e o Botafogo-SP por 7x1, dava gosto de ver o Leão no PVzinho de açúcar.

Para muitos era inacreditável, 3ª melhor campanha da Primeira Fase, melhor mandante da competição, era hora de enfrentar o chatíssimo América-MG, campeão da Série B em 97. Empata sem gols em Belo Horizonte e vitória dura por 2x0 no PV, estávamos na semifinal, pela primeira vez um clube cearense estava entre os 4 da Série B em toda história, agora era esperar o adversário. Tudo indicava ser o Sport Recife que havia empatado em 1x1 em Jundiaí, mas a equipe paulista surpreenderia na Ilha do Retiro vencendo por 2x1 e nos enfrentaria.

23 de novembro, Luiz Carlos Cruz confirma Finazzi como titular, mas em poucos minutos de jogo o atacante sente uma contusão, preocupando a todos. O torcedor tricolor já contente em ver seu time em rede nacional (na época raríssimos jogos, mesmo na Série B com PPV tinham transmissão) ficava tranquilo ao ver que o substituto seria o baixinho Clodoaldo, e como a história foi lindo. O capetinha entrou endiabrado, fez de cobertura, driblando goleiro, estava com tudo, comandou um 6x1, o jogo da terça-feira dia 26 seria só para comemorar a vaga.

Chega o grande dia, PV lotado, eu garoto me ofereci a ir com amigos da minha mãe para não perder a chance de ver a história. Fiquei nas cadeiras sociais e logo todos nos preocupamos, o Jundiaí abria 2x0 e muitos pensavam: "Será possível tamanho desastre?". Não, não era, Clodoaldo de novo aparecia para marcar e Vinícius que em toda Série B fez gols de pênalti batendo no meio do gol, dessa vez mudou e no canto esquerdo do goleiro empatou, era o suficiente, o juiz apita, os narradores vibravam, pela primeira vez um clube cearense conquistava o acesso no gramado, a torcida invadia o gramado, era inacreditável, comum nos anos 70 e 80 com os Brasileiros inchados, a torcida alencarina veria novamente e dessa vez com méritos de acesso e campanha o Fortaleza disputar com os maiores clubes do Brasil.

Hoje uma realidade e praticamente uma obrigação, estar na elite do futebol 15 anos atrás um sonho realizado, especialmente para quem havia acabado de sofrer aqueles anos em que a Série C era um inferno extremamente superior ao atual. Foram aqueles heróis, guerreiros que mesmo diante de todas as dificuldades vividas pelo nosso futebol na época realizaram um sonho de milhões de torcedores, foi aquele o principal passo para o Fortaleza havia voltado a figurar entre os principais clubes do país.

Finalizo aqui deixando meu muito obrigado a todos, aos atletas Jefferson, Rodrigues, Aloísio, Carlinhos, Aldemir, Marcão, Rogério Bonfim, Ronaldo Angelim, Chiquinho, Sérgio, Edgar, Renato Peixe, Dino, Erandir, Kel, Dude, Alyson, Marcelo, Juninho Cearense, Clodoaldo, Mazinho Loyola, Finazzi, Sandro Goiano, Vinícius, Rafael Guimarães, Coelho, Gildázio, Bibi, Wescley, Eduardinho, Cristiano e Jessuí que participaram da conquista. A comissão técnica formada por Luiz Carlos Cruz, Pantera, Salvino, Manoelzinho, Sexta-Feira, Toinha e tantos outros membros da época, a Diretoria encabeçada por Jorge Mota, e principal a torcida do Fortaleza Esporte Clube, que mesmo no momento mais sombrio de nossa história não abandonou seu clube e carregou junto com todos esses heróis o time aquele sonho, meu mais sincero agradecimento, de um tricolor mais do que apaixonado.

Luca Laprovitera