13 anos dos 2% que valeram 100 ~ Bora Leão
Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ ? ]

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

13 anos dos 2% que valeram 100

Postado por Luca Laprovitera às 13:01:00 segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Comemoração do gol de Ronaldo Angelim,
que carimbou o acesso
Falar de 2004 vai bem antes daquele jogo que hoje completa 13 anos, a campanha foi inteira um teste para aquele grupo. No início da competição, uma equipe que contava com ótimos valores como Lúcio Bala, Rinaldo e Agnaldo, time que jogava para frente e fazia muitos gols. Rinaldo sairia como artilheiro da competição com 14 gols, mesmo atuando apenas até a 14ª rodada, quando foi para o LG da Coréia do Sul. Além dele, Lúcio deixou a equipe para atuar no Chiapas do México. 

Até então em 4º lugar, o clube venceria apenas 3 jogos dos 9 que faltariam pela frente, sendo o último e decisivo, uma virada sobre a Portuguesa, no Canindé, por 3x2, terminando a Primeira Fase em 5º lugar. Na Segunda Fase, dois grupos de quatro equipes e o Fortaleza no Grupo A junto com Brasiliense, Ituano e Santa Cruz. Nas três primeiras rodadas, empate contra o Ituano no PV, derrota por 2x0 para o Brasiliense fora de casa e de 3x1 para o Santa, no Arruda. 

O Leão enfrentaria o Santa no PV, e o zagueiro Fernando colocaria o Fortaleza na frente, mas nos acréscimos Valença superaria Bosco por cima e deixava tudo igual, em 4 rodadas apenas 2 pontos e o time só tinha 2% de chances de avançar. Para ir ao Quadrangular Final, o Tricolor do Pici deveria vencer os dois jogos seguintes, tirar o saldo e ainda torcer para que os jogos dos adversários não tivessem vencedor. 

Apenas 3 mil pessoas foram ao PV na noite de sexta-feira, no dia 22 de outubro. Depois de um primeiro tempo morno, o Fortaleza voltou endiabrado, Guaru abriu o placar logo aos 3 minutos, Juninho Cearense ampliou aos 22 e Marcelo Lopes fechou a sina aos 43, 3x0. Do outro lado, o Ituano segurou um 2x2 com o Santa, no Arruda, as chances voltavam. 

Chega o dia da partida no Novelli Jr, em Itu. Estádio lotado, o time da casa porém tinha 8 desfalques. A partida começa bastante atrasada, notícias vinham da Boca do Jacaré onde Brasiliense e Santa se enfrentavam. Aos 16 minutos Mazinho Lima coloca o Fortaleza na frente, o Leão estava se classificando. No Distrito Federal fim de jogo, 1x1, se o resultado continuasse no interior paulista, o Leão ia para a fase seguinte. O Ituano pressionava e Bosco parava tudo, até que em contra-ataque mortal aos 45 do 2º tempo Juninho Cearense faz 2x0, o Leão estava na fase seguinte e de cola saia de 2% para líder do grupo em duas rodadas.

Eis que chegávamos ao Quadrangular Final, Avaí, Bahia e Brasiliense seriam os adversários. Na estreia, heroico 0x0 na Ressacada com Bosco fazendo uma defesa ao melhor estilo Gordon Banks em jogada contra Evando. Punido, o Leão jogaria a rodada seguinte no Junco, e Sobral era certeza de alegria, vitória de 1x0 sobre o Brasiliense. 

Eis que começam as dificuldades, derrota para o Bahia por 2x0 na Fonte Nova e empate em 1x1 na capital. O Leão viaja para jogar contra o Brasiliense, 20 mil pessoas lotam a Boca do Jacaré, o Fortaleza segura bravamente a equipe candanga, até que o árbitro carioca Wagner Tardelli resolve aparecer ao dar 4 minutos de acréscimos no 1º tempo e inventar um falta em Iranildo que ocasionou o gol dos donos da casa aos 49 minutos e 20 segundos, do zagueiro Durval e no segundo tempo ao não marcar pênalti claro em Guaru.

Com a vitória, o Brasiliense comemorava o acesso com uma rodada de antecedência, o Fortaleza precisava fazer no mínimo 2x0 no Avaí em casa e torcer para o já classificado Brasiliense segurasse o Bahia na Fonte Nova lotada.

Chega então o grande dia, no Castelão são 21 mil tricolores confiantes no impossível. Em Salvador, Fonte Nova lotada e 20 minutos de atraso. Jogo duro nas duas partidas, olhos no gramado do Gigante da Boa Vista e ouvidos no rádio que narrava a partida na capital baiana. Aos 31 minutos de jogo, Guaru bate escanteio curto pela direita para Sérgio que cruza no primeiro pau e Marcelo Lopes de peixinho abre o placar, 1x0, loucura nas arquibancadas e a torcida se perguntava: "Será possível?".

O jogo vai para o intervalo e uma ducha de água fria, William coloca o Bahia na frente na Fonte Nova, mas quando os times estão voltando para o 2º tempo, o gol de Wellington Dias é comemorado como se fosse nosso, 1x1 e intervalo em Salvador. 

No Castelão, partida nervosa, o Fortaleza pressiona e mesmo assim ainda precisa de um gol para chegar a Série A, com os resultados de momento, o Avaí estava subindo. Novamente aos 31 minutos, agora do 2º tempo, Guaru bate escanteio pela esquerda e no centro da área Ronaldo Angelim sobe livre e de cabeça vence Adinam, 2x0 e a vaga era nossa. No fim o Avaí pressionou, mas não teve jeito, vitória tricolor, mas as arquibancadas ao invés de festa ouvia atentamente a partida em Salvador. 

Fabrício vira para o Brasiliense, mas Ygor empata para o Bahia. Enquanto a partida terminava no Castelão, Jairo em contra-ataque puxado por Wellington Dias faz 3x2 e liquida a fatura, Brasiliense campeão. Ao fim do jogo, as arquibancadas da Fonte Nova choravam, mas os mais de 20 mil tricolores permaneceram no Castelão e iam a loucura, um ano depois de cair, o Fortaleza voltava à Primeira Divisão para ser o único representante do Nordeste em 2005 e hoje 13 anos depois lembrarmos da mística daquelas camisas, que 2% pode valer 100.


Por Luca Laprovitera