Gringos no Fortaleza - ~ Bora Leão
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domingo, 17 de dezembro de 2017

Gringos no Fortaleza -

Postado por Luca Laprovitera às 01:43:00 domingo, 17 de dezembro de 2017
Germán Pacheco com a camisa 18 ao lado de
Éver Banega, hoje no Sevilla, quando jogaram pela
Argentina Sub-20 no Torneio de Toulon, em 2009
Quando o argentino Germán Pacheco foi anunciado, a torcida tricolor ficou logo ansiosa. Boas referências, experiência internacional e uma perna esquerda perigosa chamaram a atenção do torcedor. Porém, sempre que a torcida pensa em jogadores estrangeiros no Fortaleza, ela já fica meio receosa. Algumas experiências não foram boas. Jogadores que não renderam, outros que não conseguiam sair do DM, teve até alguns que chegaram, treinaram e nem jogaram. O Bora Leão hoje vai trazer a história de cada 

FRED 'ALEMÃO' (ALEMANHA)
Fred é o mais alto da foto
Alto e magro, era assim que o alemão Fred Horst Maehlmann chamava atenção nos gramados alencarinos. Judeu, o atacante era mais dos refugiados da Alemanha Nazista de Adolf Hitler (Você conhece essa história aqui). Fred "Alemão" como era conhecido foi o estrangeiro de maior sucesso no Fortaleza e possivelmente o primeiro a atuar por nossas terras. Jogou no Fortaleza em 1938 e estabeleceu dois recordes naquele ano em que inclusive foi Campeão Cearense. É de Fred até hoje o recorde de mais gols em um só jogo no futebol cearense, foi na vitória por 11x2 sobre o Iracema no estadual, ele fez 8 gols, marca que até hoje não foi quebrado. É de Fred também o recorde de mais gols de um estrangeiro pelo Fortaleza, 11 gols. Fred desistiu do futebol no ano seguinte por conta das contusões quando jogava no Maguari, veio a falecer nos anos 80.

VICY (ANGOLA)
Vicy já aposentado, em Angola. 
O atacante Vicy passou pelo Fortaleza entre os anos 80 e 90. Não se sabe ao certo em qual ano, se jogou ou não, e apenas relatos da época (nem tão distante para ser tão restrito) nos fazem saber que o jogador passou pelo Leão. Porém o que poucos sabem é que Vicy é considerado um dos maiores futebolistas da história de Angola, chamado de um dos maiores injustiçados do país pelo futebol que jogou e sem receber o devido reconhecimento. Jogou pela Seleção de Angola em 1981, e por clubes fez história no Primeiro de Maio de Benguela onde fez história sendo duas vezes campeão do Girabola (Campeonato Angolano) em 1983 e 1985, duas vezes da Taça de Angola em 1982 e 1983, e uma vez da Supercopa de Angola em 1985.

MARCELO ESCUDERO (ARGENTINA)

Talvez a contratação de um estrangeiro que chegou com maior moral no Fortaleza. O meia Marcelo Escudero era experiente, com passagens vitoriosas por Newell's Old Boys e River Plate na Argentina, sendo titular em boa parte do tempo em seis títulos argentinos (um pelo Newell's e cinco pelo River), uma Libertadores e uma Supercopa pelo River. Técnico, classudo e inteligente, jogou nove partidas pela Seleção Argentina, sendo convocado para a Copa América e Copa das Confederações de 95, marcou 2 gols pelos hermanos. Na época o Fortaleza jogava a Série A de 2003, Escudero tinha um salário considerado astronômico para época (12 mil dólares falavam), a expectativa era enorme, treinava horas extras em uma academia da capital, mas meses depois foi dispensado. O meia jogou apenas 15 minutos, saiu do clube com uma assistência, uma bola no travessão e a se sensação de fracasso por ter passado mais tempo no DM do que no campo de treino. No ano seguinte voltou ao futebol argentino onde atuou suas últimas duas temporadas pelo Olimpo de Bahía Blanca, aposentando pelo excesso de lesões aos 33 anos.

ALUSPAH BREWAH (SERRA LEOA)
Aluspah na academia (Foto: Diário do Nordeste)
Velocista, Aluspah fazia 100 metros em apenas 10.2 segundos (o recorde masculino atual é de 9.58, do jamaicano Usain Bolt, o feminino é 10.49 da americana Florence Griffith-Joyner). O jogador tinha passagens pelo futebol de Gana e da Bélgica até chegar no Flamengo em 2004. Se destacou em jogos-treino contra Volta Redonda e Bonsucesso sendo contratado, porém o visto de trabalho não saiu e o jogador foi dispensado. Passou pela Suécia e em 2005 chegou com esperança de gols do Fortaleza para fazer um ataque veloz ao lado de Rinaldo na Série A. Estreou em um amistoso contra o Iguatu no PV e marcou um gol de pênalti. Depois teve a chance de jogar oficialmente contra o Corinthians líder do Brasileiro no Pacaembu. Aluspah não pegou na bola e o Leão perdeu de 3x0. O atleta foi desligado, passou pela Rússia e fez sucesso na Suécia até 2010, passou pela China até aposentar pelo Hanoi do Vietnã em 2012. Jogou pela Seleção de Serra Leoa marcando 7 gols em 12 jogos. Atualmente é empresário na Suécia, onde tem uma loja de sucos.

ANDRÁS DLUSZTUS (HUNGRIA)

Revelação do húngaro no meio da década passada, o até então volante András Dlusztus foi chamado para fazer testes no sub-17 do Fluminense após uma partida da equipe carioca contra a seleção pela categoria. Sem ser aprovado, veio ao Fortaleza e conseguiu ficar, porém não sem se firmar acabou sendo colocado no time sub-20 e logo foi dispensado sem sequer jogar por nenhuma categoria, seja profissional e de base. Foi parar em outro Fluminense, o de Feira de Santana na Bahia, mas também não se firmou. Virou zagueiro e joga com regularidade na Segunda Divisão Húngara. Aos 29 anos está emprestado ao Békéscsaba pelo Vác FC até o meio de 2018.

DARÍO GIGENA (ARGENTINA)

Darío Alberto Gigena chegou com moral, experiente era lembrado como um dos principais jogadores do título da Conmebol do Talleres da Argentina sobre o CSA-AL, em 1999. E claro, pela bela passagem pela Ponte Preta-SP, em 2003. Rodado, Gigena foi apresentado com toda pampa para um Pici cheio de torcedores, mas teria que esperar dois meses para jogar já que ainda era junho e a janela internacional só abriria em agosto. O argentino treinou por algumas semanas, mas foi embora antes mesmo de estrear quando o Guaros de Lara da Venezuela fez uma proposta. Rodou mais um pouco até aposentar aos 34 anos pelo Sarmiento de Leones da Argentina.

JORGE SOTOMAYOR (ARGENTINA)

Jorge Sotomayor era promessa da zaga argentina. Foi reserva do elenco profissional do River Plate entre 2005 e 2006, mas ao optar a transferência para o La Serena do Chile em 2006, perdeu a vaga na Seleção Sub-20 de seu país. Baixo para um zagueiro (apenas 1,80 m), Sotomayor era muito forte e veloz, mas tecnicamente limitado e extremamente 'duro' (para não dizer maldoso) nos lances. Chegou no Fortaleza em 2009 junto com outro argentino,  o meia Jonathan Guerazar, não se firmou e jogou apenas alguns amistosos, sendo liberado para o Colegiales de seu país natal, a Argentina. Acabou fazendo carreira mesmo no Chile atuando pelo Deportes Antofagasta, Unión San Felipe e seu atual clube, o Rangers que joga a Primera B (Segunda Divisão Chilena). 

JONATHAN GUERAZAR (ARGENTINA)

Habilidoso e inteligente, o meia argentino Jonathan Guerazar veio junto com o compatriota, o zagueiro Jorge Sotomayor. Apesar das boas características, o jovem atleta não tinha muita força física e pouca velocidade, era oponente fácil para os marcadores, chegou a atuar em uma partida do estadual, mas não conseguiu se firmar. Revelado pelo Unión Mar Del Plata da Argentina, Guerazar tinha nacionalidade chilena e resolveu ir para o país vizinho onde jogou por Unión San Felipe e Ñublense antes de chegar no Fortaleza em 2009. Voltou ao Unión San Felipe, passou por Oriente Pretolero da Bolívia, retornou mais uma vez ao Unión até chegar ao Palestino em 2013, parando no fim daquela temporada com apenas 23 anos. Retornou no meio desse ano a jogar, agora pelo Deportivo El León de General Mardariaga, das divisões semi-profissionais da Argentina.

GUSTAVO SAVÓIA (ARGENTINA)

Gustavo Savóia era experiente, tinha jogado por Colón, Gimnasia La Plata e Olimpo no futebol argentina, tinha passagens pelos campeonatos colombiano, equatoriano, peruano e chileno, além de ter jogado na Espanha. No Brasil já havia jogado pela Ponte Preta-SP e em 2012 chegava ao Fortaleza depois de jogar no XV de Piracicaba. O centroavante de até então 30 anos foi anunciado no dia 5 de março, porém menos de um mês depois no dia 2 de abril já teve seu contrato rescindido. Foram apenas 14 minutos em campo, um jogo no banco e obviamente nenhum gol. Savóia se aposentaria no ano seguinte no Mitre da Argentina.

GASTÓN FILGUEIRA (URUGUAI)
Foto: Thiago Gadelha/Diário do Nordeste
O lateral-esquerdo uruguaio Gastón Filgueira foi contratado para jogar nesse ano de 2017. Chegou como o principal desarmador da Série B do Brasileiro de 2016, quando jogava pelo Náutico-PE. A raça uruguaia e o bom currículo fizeram o atleta ser visto com bons olhos pelo torcedor tricolor, mas a saga de Gastón não foi a das melhores, lateral de ofício, foi anunciada como volante. Revelado pelo Central Español do Uruguai em 2006, chegou até a Seleção Uruguaia onde jogou duas partidas, passou pelo Arsenal de Sarandí da Argentina onde foi campeão da Copa Sul-Americana em 2007 e depois voltou ao Uruguai para jogar no Nacional onde foi campeão uruguaio na temporada 2008-2009. Passou por Cerro-URU, Palestino-CHI e Liverpool-URU até chegar no Náutico em 2014. No Leão foi apresentado ainda em Dezembro do ano passado. Atuou em 13 partidas, marcou um único gol na vitória de 1x0 sobre o Guarani de Juazeiro em partida válida tanto pelo Campeonato Cearense quanto pela Taça dos Campeões Cearenses que lhe rendeu o feito de ser o primeiro, e até agora único, estrangeiro a ser artilheiro de uma competição no estado. Porém raramente sendo utilizado na função natural, o uruguaio não conseguiu se firmar, e em maio se juntou ao Vila Nova-GO onde fez boa Série B e tem contrato renovado para 2018.

Por Luca Laprovitera