Os números continuam a mentir ~ Bora Leão
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sexta-feira, 23 de março de 2018

Os números continuam a mentir

Postado por Luca Laprovitera às 18:02:00 sexta-feira, 23 de março de 2018
Rogério Ceni comandando treino no CT.
(Foto: JL Rosa/Agência Diário)
Ano passado, nosso repórter Paulo Rodrigo (LEIA AQUI) fez uma análise crítica ao trabalho de Hemerson Maria, dizendo que apesar dos bons números, eles não falavam a realidade do que a equipe do comandante em campo enganava com números que pareciam favoráveis. Nem precisa dizer o final, né? O técnico caiu depois de deixar o time quase fora da Copa do Nordeste e cair na Primeira Fase da Copa do Brasil pela primeira vez em 18 anos. 

Ontem, no início da entrevista coletiva, Rogério Ceni citou os números para justificar sua passagem pelo Fortaleza. Vou deixar desde já claro que gosto da ideologia do treinador, não sou contra rodar o time, inclusive chamei atenção no início da temporada quando ele não o fazia, mas ao começar a mexer na equipe, ele não conseguiu encontrar um padrão fixo e isso atrapalha o rendimento do time.

Ontem vimos nos primeiros 45 minutos muita intensidade, muita correria, marcação alta, porém, isso tudo vem com um preço. A equipe estava pregada na segunda etapa, cansada, não tinha forças, o que preocupa bastante para um time que não jogava à oito dias e só participa do Campeonato Cearense. Entre os semifinalistas, Fortaleza e Uniclinic foram os que menos jogaram na temporada e o Fortaleza foi o que menos viajou, em 2018, mas em campo, é o que parece fisicamente mais desgastado de todos.

Voltando ao aproveitamento, o trabalho olhando apenas nos números é interessante sim. Rogério somou 74% dos pontos disputados, tem uma média de 2 gols marcados por jogo sendo o 2º melhor ataque com 28 gols marcados (melhor é o Ceará com 33). Defensivamente tem a média de 0,8 gols sofridos por jogo e a melhor zaga com apenas 12 gols sofridos, a frente de Floresta e Uniclinic, que sofreram 14 e 15 gols respectivamente, o outro semifinalista Ceará é a 4ª zaga menos vazada com 16 gols sofridos, ao lado do Horizonte, eliminado ainda na Primeira Fase.

Os números realmente estão bons, então porque a reclamação? Depois de uma Primeira Fase muito boa, o Fortaleza não conseguiu reproduzir o bom futebol anterior. Estreou vencendo o chato Iguatu, depois um ótimo Clássico Rei, mas o empate no fim da partida, deixou evidente algo que já vinha sendo falado, o preparo físico deficiente da equipe. O Fortaleza termina a Segunda Fase atrás do Floresta com investimento bem mais abaixo e que o rival Ceará que levou o estadual quase inteiro com o time reserva. Chega na semifinal sem vantagem e com a forma física que preocupa. 

O Campeonato Cearense adotou semifinais e finais desde 2012, abandonando os turnos, adotados nas temporadas 2009, 2010 e 2011. No 8º ano com esse sistema decisivo, os números de Rogério não ficam entre os melhores, sendo justamente o único ano que a equipe não atuou outras competição no primeiro semestre como o atual, sendo o líder. Confira os números:

2018 - 74%, em 14 jogos
2017 - 70%, em 11 jogos
2016 - 76%, em 14 jogos
2015 - 67%, em 14 jogos
2014 - 81%, em 26 jogos
2013 - 62%, em 14 jogos
2012 - 77%, em 22 jogos

Vale lembrar o número de jogos disputados no geral antes das semifinais desses estaduais e as competições que a equipe estava atuando na temporada:

2018 - Só o Campeonato Cearense - 14 jogos
2017 - Campeonato Cearense, Copa do Brasil e Copa do Nordeste - 18 jogos
2016 - Taça dos Campeões, Campeonato Cearense, Copa do Brasil e Copa do Nordeste - 27 jogos
2015 - Campeonato Cearense, Copa do Brasil e Copa do Nordeste - 23 jogos
2014 - Só o Campeonato Cearense - 26 jogos
2013 - Campeonato Cearense, Copa do Brasil e Copa do Nordeste - 26 jogos
2012 - Campeonato Cearense e Copa do Brasil - 26 jogos

Como a gente fala, números mentem. Eles dão uma parcela da realidade, mas um estudo, mas eles podem enganar bastante, especialmente se forem mal analisados. O trabalho de Rogério não é descartável, nem suas ideias, mas é necessário adaptá-las para a realidade em que se vive. O relógio está correndo, a paciência do torcedor acabando, agora não tem mais volta, o estadual chegou na fase decisiva e a Série B começa em três semanas.

Por Luca Laprovitera