100 anos de paredões ~ Bora Leão
Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ ? ]

quinta-feira, 26 de abril de 2018

100 anos de paredões

Postado por Luca Laprovitera às 17:59:00 quinta-feira, 26 de abril de 2018
Pedrinho Simões, Cícero Capacete, Lulinha, Salvino,
Maizena, Marcelo Boeck e Bosco, paredões históricos.
Em uma história centenária, com mais de 50 títulos e muitas vitórias, goleiros brilhantes não faltaram. De 1918, passando pelo primeiro estadual em 1920 até a glória mais recente que foi acesso à Série B, mais de uma centena de arqueiros defenderam nossa meta e esse texto é para eles.

Todo grande time começa por um bom goleiro, de Peter no início dos anos 20, Rolinha que bi-campeão virou foi zagueiro para Aderaldo também ser campeão. Nos anos 30 veio Zé Augusto, nos 40 Juju, o primeiro campeão do Nordeste. 

Aluísio foi durante os anos 50 um dos grandes nomes, depois viu Harry Carey vir do rival para nos levar ao nacional. Em 1960, um garoto, oriundo do Gentilândia até com um braço deslocado calaria a Fonte Nova, Pedrinho Simões seria imortalizado em uma das melhores atuações da história do clube e ajudou o clube a chegar a sua primeira final nacional.

Anos depois, o pai de Júnior Baiano, Mundinho parou o Náutico rei de Pernambuco e nos ajudou a chegar a segunda final nacional, e depois nos ajudou a ser campeão  Norte-Nordeste. Os anos 70 e 80 foram essenciais para quem gosta de paredão, Lulinha herói por quase uma década de Leão, além dele, um penteado único e Cícero Capacete onde basta olhar de longe para reconhecer. Veio uma grande crise, mas também para encerrá-la um grande time, Salvino era o guardião, tão tricolor que até voadora no compadre deu para defender o Leão.

Jamais esquecer de Sérgio Monte, goleiro nota 10 no Morumbi, calando o Palmeiras e notícia nacional. Nos anos 90, começamos com Jorge Pinheiro bi-campeão e o arqueiro do primeiro acesso, o príncipe do Cedro para ser o herói do capital. Vieram então anos infernais, mas um paranaense, um tal de Geraldo Burile, que era tão branco que se chamava Maizena ajudou a acabarmos com nosso jejum. 

Depois um rapaz da terra, ídolo do rival, mudou de lado da avenida e virou paredão. Defesas incríveis em um time inesquecível, Jefferson era tricolor e nos levava à Série A, em 2002. Não bastou muito tempo, mito dos 2%, com defesas no estilo Gordon Banks, um pernambucano em baixa se reencontrava com o manto tricolor, Bosco então ouvia das arquibancadas o seu nome e paredão, mistura única do sucesso entre 2004 e 2005.

No banco, seu fiel escudeiro dos tempos de Sport, rapaz calado, nem sempre tão lembrado, até de queixo defendeu, parou Rogério Ceni e em pleno Morumbi segurou o São Paulo campeão das Américas, Mundial e Brasileiro, Albérico era o nome do guerreiro. Logo depois, um goleiro que falava chiado, carioca da gema com nome de presidente. Ele dizia que se deus estava por nós, quem então seria? Getúlio Vargas saiu do Fortaleza meses depois, mas sem dúvidas ficou na história. 

A cada título do tetra, um goleiro herói diferente, no ano seguinte um discípulo de Dida aportava no nosso gol. Negro, alto e bom pegador de pênaltis, foram quatro pênaltis, onde nem o Horizonte encontrava. No tri, um paulista com jeito de cearense, uma bola no ângulo e uma mão divina, Douglas das bases para a eternidade.

No tetra não dá para se enganar, o nome de Fabiano é o que se canta para ninguém calar. Na cobrança de Misael, ele caiu certeiro para Júlio Sales baixar o espírito de Galvão Bueno e as arquibancadas pulsarem, éramos tetra. Em busca do bi, o rival nos incomodava, um treinador falastrão pelo nome Lisca desmerecia essas camisas. No ritmo do baile de favela, com gols de Anselmo e Núbio Flávio, eles tentaram fazer o gol, mas tinha Ricardo Berna.

E tem aquele que sobreviveu, o garoto da pequena Vera Cruz que conquistou o mundo com apenas 22 anos, dominou Lisboa e eternizou-se em Chapecó, virou herói em Fortaleza, imortalizado em Juiz de Fora, Marcelo Boeck estará para sempre na lembrança de muitos e na pele de outros, o gol do acesso pode não ter acontecido, mas a defesa sim.

Por Luca Laprovitera