O melhor jogo que eu não fui ~ Bora Leão
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quinta-feira, 3 de maio de 2018

O melhor jogo que eu não fui

Postado por Luca Laprovitera às 17:19:00 quinta-feira, 3 de maio de 2018

3 de maio de 2015, domingo à tarde, depois de ter visto o primeiro jogo da final nas televisões da TV Cidade porque estava no plantão, o jogo decisivo eu poderia ver, meu ingresso estava em mãos. Essa era a primeira final que eu conseguia ir desde 2010, estava na gaiola e acertava o destino de todos os pênaltis, quem ia perder ou acertar só de ver, e a cada acerto e pênalti perdido pelo rival, meus amigos celebravam e apontavam para mim. 

Foi por volta das 13:30 quando já me preparava para sair recebo uma ligação da minha namorada, ela estava doente com algo, não lembro exatamente o quê e ao invés de ir ao Castelão, meu destino foi o Hospital da Unimed. Médico vai e médico vem, chegamos na minha casa onde eu deveria fazer companhia com uns 5 minutos de jogo. 

Ela não entendia bem a razão da minha frustração, mas era o jeito ver a partida pela TV. Quando vi Lúcio Maranhão correndo pela direita, o passe para Everton que levantou para Daniel Sobralense sentia que era a hora, o chapéu em João Marcos e o chute certeiro, não tinha mais jeito, éramos campeões ali, nada nos tiraria aquele título. 

Mas Fortaleza é Fortaleza, tem que sofrer para ser inesquecível. No segundo tempo, Deola aceita o chute de Ricardinho, eu esbravejo, reclamo de falta no começo da jogada, xingo o goleiro com tudo que tenho, lembrando do jogo contra o Sport, mas nada ainda comparado ao que faria contra o Coritiba. 

Xingo Chamusca, ele recua o time, o Ceará com um a menos, mas motivado, se levássemos um gol tudo ia para o espaço. Aí aos 45, a zaga parou, Deola criou raízes debaixo da trave, mas nada podia fazer a cabeçada de Assisinho foi letal, de novo, no fim, tudo parecia ser contra a gente. Eu xingava Chamusca, Deola, quem aparecesse na imagem, que foda, meu irmão. 

Mas no fundo sentia que faltava algo, no meio do desespero vejo Wanderson avançar, vejo a bola chegar em Tinga e me pergunto: "Tá valendo isso tudo? Será?", e perdido no meio da zaga alvinegra, o improvável, o impossível que só o Fortaleza sabe como fazer, Cassiano, atacante que dos três que disputavam a vaga tinha a pior média, o que muitos consideravam dispensado no dia seguinte, Cassiano deu só um toque, desviou pro fundo da rede, eu fui abaixo, o Castelão também. 

Chorava sozinho no chão do meu quarto e Melina, horrorizada achava tudo estranho, xingava o vento com uma mistura de alegria, alívio e lágrimas, sabe-se lá o que eu falava, era tudo emoção. Maranhão que semanas antes fazia o gol que quebrava o tabu, ainda arranja tempo para parar o jogo e ser expulso. O juiz apita, acabou, não ia ter penta, teve milagre, dos improváveis, da mística daquelas camisas, o Fortaleza depois de cinco anos voltava a ser campeão, daquele jeito sofrido como foi em 74, como foi em 91, como foi em 2000, ou 2005, 2009 ou o tetra em 2010, se não fosse sofrido não seria Fortaleza. 

E você? Como foi seu Cassiano Day?

Por Luca Laprovitera