Obrigado Osvaldo ~ Bora Leão
Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ ? ]

domingo, 13 de maio de 2018

Obrigado Osvaldo

Postado por Luca Laprovitera às 02:25:00 domingo, 13 de maio de 2018
Osvaldo em 2008 (em cima) e em 2018 (em baixo) pelo
Fortaleza. (Fotos: O Povo)
Olá, Osvaldo! Não sei se você irá ler esse texto, mas saiba que ele é feito para você. É como se fosse uma carta de agradecimento de uma pessoa que acompanha por tanto tempo e tanto tem orgulho de ti. Sabe, é até irônico que naquele 5 de novembro de 2006, quando você pela primeira vez atuou em uma partida profissional, justamente no Castelão, justamente contra o Goiás e em um placar por 3x0, só que na época infelizmente para eles. 

No dia 12 de maio de 2018, quase doze anos depois, no mesmo palco só que hoje melhorado pelas reformas da Copa, contra o mesmo adversário você se despediu mais uma vez da gente e o 3x0 foi novamente o placar, só que dessa vez te favoreceu, mas as lágrimas foram as mesmas. 

Em 2006, saí do Castelão aos prantos, aquele jogo praticamente nos rebaixava à Série B. Hoje saí sem saber ainda o que você falara para o Caio Ricard na Sportv. Talvez nem chorasse, mas no mínimo ficaria engasgado pela emoção. Osvaldo, te conheci ainda na base, garoto magro, franzino, vi cada passo da sua carreira com orgulho e admiração. Vi sua estreia, seu primeiro jogo como titular contra a Ponte Preta algumas rodadas depois, já no PV com Daniel Frasson substituindo Roberval Davino no comando. 

Acompanhei atentamente os escassos blogs piauienses em 2007, quando você, Teles, Eusébio e Wanderson comandavam o River ao título piauiense com apenas uma derrota em 18 jogos. Você foi eleito o melhor jogador do torneio e fez gol nos dois jogos das finais contra o Barras. Estive no seu primeiro gol pelo Leão, um 2x1 sobre o Paulista de Jundiaí, na penúltima rodada da Série B de 2007, com o Fortaleza comandado por Silas. Você abriu o placar e foi um golaço, Fábio Vidal que jogara no rival empataria no fim do primeiro tempo e Daniel Sobralense, aquele da música do chapéu nos daria a vitória aos 48 do 2º tempo, seria ironia demais se fosse aos 47.

Em 2008, acompanhei atentamente seu desenvolvimento, os gols na final contra o Icasa, as críticas, o pior momento da sua vida e te apoiei mesmo quando a ordem parecia te criticar. Lembro até de um tópico que criei no já finado Orkut, "Oi, Meu Nome é Osvaldo" em referência aos seus dados e números, defendendo que você era um bom jogador, e quem diria, alguns meses depois você mostraria que realmente era. 

Osvaldo, você foi herói para não termos caído em 2008. Fez coisas impossíveis em Natal, Campinas e Bragança Paulista. Depois ganhou seu lugar entre os nossos imortais diante de 50 mil apaixonados contra o Brasiliense no Castelão. Vi seu primeiro último gol contra o Itapipoca, 4x1, dentro da nossa casa, no Pici e seu primeiro último jogo contra o Guarany. Lembro até da data, 14 de janeiro de 2009. Como esquecer? O frango do goleiro adversário no chute do Nenê, Clodoaldo pela primeira vez no Alcides Santos desde a ida para o rival, sua despedida, o placar poderia ter sido mais justo, apenas 1x1.

Daí comecei a te ver de longe. Vi com todas as dificuldades sua rápida passagem pelo Al-Ahli, mas o suficiente para ser campeão nos Emirados Árabes. Acompanhei e sofri com suas lesões no Braga, em Portugal. Entendi você ir para o rival, em 2011, mas me chateei pelas provocações, te perdoei depois, são coisas da idade e olhava seus gols e lances, sua tentativa de salvá-los da queda e via aquele menino veloz, agudo que despertou a minha atenção lá em 2006. 

Me enchi de orgulho quando você vestiu a camisa do São Paulo e vibrei quase como se fosse do Fortaleza o seu gol contra o Tigre na final da Sul-Americana em 2012. Ver seu nome na lista de convocação da Seleção Brasileira para os jogos contra Itália e Rússia em 2013, minha nossa, nem acreditava, e te ver com a Amarelinha contra a Bolívia parecia irreal. Era um dos sonhos, meninos do Leão, com a camisa pentacampeã, tinha orgulho como se te conhecesse pessoalmente. 

Mas a vida nem sempre é justa. Acompanhei você pelo Al-Ahli, agora de Doha na Arábia Saudita, por Fluminense e Sport, junto com isso tudo, novas lesões, uma série de momentos difíceis que fazem parte dessa vida no futebol. No fundo eu desejava você com a camisa que te lançou, aquela que você aprendeu a amar e respeitar lá no comecinho, e então, no dia 18 de fevereiro desse ano, a casa era sua novamente.

Osvaldo em sua apresentação de volta ao Fortaleza.
(Foto: Ronaldo Oliveira)
A estreia viria dias depois, contra o Iguatu, dia 1º de Março. Você não precisou nem de 10 minutos em campo para fazer a diferença. Jogada do Felipe, passe certeiro seu e o gol de Gustavo, 2x0. Três dias depois, na sua primeira jogada no Clássico, aquilo deveria ter sido proibido para menores de 18 anos e quem diria que mesmo a defesa afastando, Bruno Melo acharia Gustavo livre para o gol? 

Acompanhei atentamente cada lance seu. O primeiro gol pela segunda vez, agora contra o Ferroviário. O segundo gol, agora contra o CRB, mas eu não queria pelo menos tão cedo ver novamente você se despedir. Até sexta pensava que você ia negociar uma possibilidade de empréstimo e agora descubro que de novo você vai nos deixar. 

Entendo, Osvaldo, a Tailândia paga bem. Sei que não é fácil deixar a nossa casa e que realmente dói. Sei que às vezes passamos tanto tempo fora que nem nos lembramos como é, e esquecemos aquele sentimento, e quando temos que deixar mais uma vez, dói. Irei querer sempre o melhor para o meu clube, mas continuarei te acompanhando atentamente no Buriram, cada jogo e cada gol.

Que nossa despedida dessa vez não dure uma década e sim alguns meses, porque aqui é sua casa. Foi no Pici onde você saiu garoto e voltou homem. Só tenho que te agradecer pelos dribles do lado esquerdo, pelos gols, passes e assistências, mas especialmente pelo respeito demonstrado mesmo quando alguns diziam que o Fortaleza seria suas férias de luxo, mas na verdade foi alvo de muita vontade e carinho. Suas lágrimas não foram solitárias, mas volte logo, que seu sorriso também não será. 

Obrigado, Osvaldo! 
Osvaldo no banco após completar seu último jogo
pelo Fortaleza. (Imagem: Sportv)
Por Luca Laprovitera