Precisamos falar sobre FEC ~ Bora Leão
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domingo, 15 de julho de 2018

Precisamos falar sobre FEC

Postado por Luca Laprovitera às 00:58:00 domingo, 15 de julho de 2018
Presidente Marcelo Paz, treinador Rogério Ceni e
Diretor de Futebol Daniel de Paula Pessoa (Foto: Fortaleza/Reprodução)
Dia 8 de novembro de 2017, apenas 4 dias após a final da Fares Lopes e 18 dias de terminada a Série C, o Fortaleza Esporte Clube que se preparava para entrar no ano do seu centenário admitiu publicamente o interesse na contratação do técnico Rogério Ceni. 

Foram apenas dois dias de espera e o desejado acertado aconteceu. Lembro-me da simpatia do novo comandante quando o conheci dias depois no Beach Park Resort quando gravamos sua apresentação para a TV Leão, no dia anterior à apresentação para imprensa e torcida na Arena Castelão. Afinal, como diria Milton Leite: "O Rogério Ceni é chato para caralho!", pelo menos era o que tínhamos em mente. 

Ideias modernas, animação, centenário, a renovação de Marcelo Boeck, a contratação de nomes como Alan Mineiro, Alípio e Germán Pacheco, a torcida abraçou a ideia, e as goleadas nos dois amistosos de pré-temporada e o começo arrasador no estadual cresceu uma grande expectativa. 

De lá para cá, o time teve seus altos e baixos como na perda do estadual. Das três contratações citadas, Alan Mineiro pouco jogou e quando teve chances pouco fez também. Alípio saiu pela portas dos fundos, apresentando um futebol bem abaixo, já Germán Pacheco não conseguiu completar 90 minutos nos dois jogos em campo pediu para sair ainda em fevereiro.

Vieram Dodô, Jean Patrick e Osvaldo na reta final do estadual/início da Série B, Edinho se firmou como uma ótima surpresa, o time começou o Brasileiro voando, foram 9 rodadas de invencibilidade e um futebol primoroso. Porém, uma crítica antiga começou a fazer efeito. Na 6ª rodada, Osvaldo que todos sabíamos de seu contrato, deixou a equipe para jogar no Buriram da Tailândia. Algumas rodadas pela frente, Edinho assinou com o Atlético-MG, Gustavo artilheiro do país em 2018 lesionou o braço e Marcinho que chegava como alternativa à Osvaldo, lesionou e perdeu o último mês. 

Dos últimos 6 jogos, foram 4 derrotas, sendo 2 seguidas. Pior momento do time desde as duas finais do Cearense. O time que teve um mês para trazer peças, trouxe os atacantes Douglas Coutinho (ex-Ceará) e Getterson (ex-Pohang Steelers da Coréia do Sul), além do meia Nenê Bonilha (ex-Vitória de Setúbal de Portugal). O centroavante reserva e um lateral-direito que são peças urgentes continuam sem chegar ao Pici.

DE QUEM É A CULPA?
Longe de mim querer culpar tudo no Rogério Ceni. A culpa é quase toda da Diretoria, que mesmo nos erros de Rogério (que houveram e vamos citar), se mostrou passiva quanto a alguns mandos do atual técnico. Vamos citar duas  questões que gostaria colocar em pauta:

-Elenco reduzido
Pedido de Rogério Ceni, o próprio técnico argumentou várias vezes que gosta de trabalhar com elenco pequeno e o ideal seriam 27 jogadores, sendo 4 goleiros. Ou seja, qualquer surto de lesão ou suspensões, as opções diminuem. Hoje, o clube tem 26 atletas de linha (fora os goleiros) e ainda sim precisa de ao menos duas contratações, sem contar os jogadores que estão retornando de lesão como Gustavo e Marcinho. 

O elenco reduzido é uma prática adotada por Guardiola, a qual eu aprovo, porém na realidade de um time que qualquer destaque é presa fácil de um clube mais forte economicamente (vide Edinho), com calendário longo e desgastante (Fortaleza fará 56 jogos esse ano, um a menos que o City na última temporada). 

-Contratações
Rogério não contrata, porém, quem contrata? É o presidente Marcelo Paz? É o diretor de futebol Daniel de Paula Pessoa? É o CIFEC? É o gerente de futebol Sérgio Papellin? Passa pela comissão de Rogério com os auxiliares Charles Hembert e Nelson Simões? Como funciona o passo a passo das contratações? Como são avaliadas? Quem as analisa? Quem indica? Quem acompanha o mercado? O CIFEC que nos últimos dois anos foi composto por três nomes: Rafael Silva (Cinegrafista e Editor), Leandro Costa (Analista de Mercado) e Henrique Bittencourt (Analista de Desempenho). 

No fim do ano passado, Henrique Bittencout deixou a função e o clube até hoje não trouxe outro para a função. Então hoje quem faz a análise de mercado e a de desempenho? Ou temos o mesmo para as duas? O sistema de contratações e análise tem que ser melhor esclarecido pela Diretoria.

DIRETORIA OU ROGÉRIO CENI?
Sim, Rogério Ceni tem sua parcela de culpa. Não existe o time precisar de resultado e trocar um lateral por outro, não existe ter Jean Patrick e Leonan, e colocar três meninos jovens em um jogo como a Ponte Preta, não existe terminar um jogo com Felipe na zaga e Diego Jussani de centroavante. 

Mas acima de tudo, a culpa é da Diretoria. Ao mesmo tempo que Rogério tem culpa no elenco reduzido, em ter jogadores que não agradam ao torcedor por a escolha desses atletas foi dele, a Diretoria tem sua culpa, afinal vale lembrar, Ceni é apenas um funcionário e deve ser tratado como tal. Ignorem o Menon por um instante e lembrem que aqui o salário é pago em dia (e caro), que as glórias dele foram como atleta e ele tem que responder sim aos diretores e torcedores, afinal ele não é maior que o clube.

Então se a Diretoria foi conivente com tudo isso, a culpa maior é dela que apesar de dar carta branca e liberdade, tem que ter autoridade quando não gostar de algo vindo do técnico e tem sim que cobrar atitudes como uma variação de jogo e a razão de alguns atletas como Anderson Uchôa, Igor Henrique e João Henrique terem sido esquecidos. 

A Diretoria também teve um mês para contratar e trouxe alguns nomes, mas ninguém para ser o centroavante reserva da equipe, e não podemos falar de falta de tempo, afinal desde a chegada do Wilson, foi falado nos vídeos do Bora Leão que ele não tinha essa característica. 

Não quero dizer que o trabalho da gestão é ruim ou péssimo, mas não podemos eximir os erros. Se não tem um Edinho e um Osvaldo no mercado que se deixe claro, porque a gente entende que não é fácil achar jogadores dessa qualidade com o Fortaleza tendo condição de trazer. Isso tem que ser claro para a comissão e para o torcedor, e o diálogo é vital em qualquer relação.

Para finalizar, parem de siga o líder, parem de discurso motivacional, o torcedor quer uma resposta. Ele não quer ouvir que estão trabalhando, ele quer se não um nome para ontem, pelo menos que a Diretoria seja sincera e deixe claro: "temos que mudar a estratégia", melhor do que iludir e tentar colocar o pirulito no torcedor. Ele é apaixonado, mas não é burro, e tem que ser respeitado! 

Por Luca Laprovitera