Cai duro, churros e marujinho, saudade da 'culinária' do PV ~ Bora Leão
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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Cai duro, churros e marujinho, saudade da 'culinária' do PV

Postado por Luca Laprovitera às 13:17:00 sexta-feira, 19 de abril de 2019

Próximo dia 25, completo 7 meses sem ver o Fortaleza no estádio. Sou rato de estádio desde meus 8, 9 anos, quando meu tio Orlando começou a me levar nos jogos do PV, lá no fim dos anos 90. 

Eu já era apaixonado pelo Fortaleza Esporte Clube. Era totalmente louco por futebol. Meu pai desde cedo gostou de entender como as coisas funcionam, abria instrumentos musicais para saber como o som saia, logo se apaixonou por carros e fez o mesmo, fez disso sua vida. 

Eu não fui muito diferente, herdei óbvio o amor pelo automobilismo, pela Fórmula 1 e a admiração por Ayrton Senna, mas a paixão foi pelo futebol. Pode até ser difícil de imaginar, mas nessa pouca idade eu já decorava dados, estatísticas, acompanhava tudo que podia sobre futebol, no Ceará e no mundo. Meus ídolos eram variados, minhas torcidas também.

Meu coração pertencia ao Fortaleza, primeiro por conta de Frank e Sandro. A admiração se prolongava ao Corinthians de Marcelinho Carioca, ao Flamengo de Romário, ao River Plate de Marcelo Salas e Francescoli, ao Real Madrid de Raúl e Mijatovic, à Internazionale de Ronaldo óbvio, e ao Porto por conta do cearense Jardel e de um meia-atacante iugoslavo de passadas largas que eu sonhava no Fortaleza, Drulovic. 

Minhas primeiras aventuras no estádio moviam duas paixões: futebol e comida (nota-se). A beleza era que as duas podiam ser feitas ao mesmo tempo. Eu comia e via os jogos. Quem cresceu nessa época sabe bem a variedade de pratos culinários que poderiam ser adquiridos no PV. 

Meu tio me levava para as Cadeiras Sociais, tomava litros de refrigerante levado pelo saudoso "Rato". Tinha café quentinho da tia, churros com muito leite condensado, batatas fritas tão gordurosas com o papel ficava transparente. Se comia cai duro, pratinhos de baião, ou de salgadinhos, tinha o pessoal que gostava de comer os espetos de mandioca, ou preferia os de carne ou frango. 

Meu preferido era o cachorro quente, sempre com muita batata palha, maionese e ketchup. Já crescendo, veio o favorito dos lisos, "Marujinho" (tinha as variações como o "Gutinho", com 2 reais dava para tomar uns quatro e levar o jogo de boa.

Com o tempo, o estádio foi mudando. A 'delicatessen' do estádio, o banquete do pobre foi dando lugar a cachorros quente sem graça, batatas Ruffles que são só o ar, a variedade ficou apenas para os setores mais 'abastados' do estádio como os setores Premium e Bossa Nova do Castelão. 

Claro, tem muita coisa boa (e relativamente cara). Só que sinto falta do meu Marujinho, daquele churros, o cachorro quente só o molho que foi reaproveitado do jogo de quarta para comer no domingo, do cai duro típico e quentinho, da tia com as garrafas de café, dos espetinhos. Seja você torcedor do Fortaleza ou Ceará, sei que se você cresceu com isso sabe que se perdeu um pouco da essência que é ir ao estádio em nosso estado. 

Quem sabe, das palavras de um gordinho que tá lá longe, a gente lembre com nostalgia daqueles tempos bons que ganhando ou perdendo, saímos ao menos de bucho cheio, de um tempo que parece que não volta mais, mas bem que podiam fazer uma fézinha e trazer de volta para nós.

Por Luca Laprovitera