Venda de bebidas volta a ser pauta entre torcedores ~ Bora Leão
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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Venda de bebidas volta a ser pauta entre torcedores

Postado por Luca Laprovitera às 10:34:00 quinta-feira, 4 de abril de 2019

Será votada na Assembleia a liberação da venda de bebidas alcoólicas nas praças esportivas do estado do Ceará. Aprovada pelas Comissões, falta ser votada no plenário e se aprovada, sancionada pelo governador Camilo Santana. 

Em busca de ampliar o debate, o Bora Leão buscou estudos, conversou com clubes, jornalistas e pessoas ligadas ao esporte para expôr os lados de cada um, as opiniões, os prós e contras de uma possível liberação da venda de bebidas nos estádios alencarinos.

JORNALISTAS
Conversamos com quatro jornalistas sobre suas opiniões acerca da liberação da venda de bebida nos estádios, e apesar de diferentes discursos, a visão é relativamente parecida. O jornalista da Tribuna Band News, Caio Costa, afirmou que a não venda não é determinante para o público nas praças esportivas, mas cita que a proibição criou problemas na entrada dos estádios: "Não vejo como fator determinante pra a presença ou não de público nos estádios, mas acho que o torcedor pode sim tomar a sua cerveja normalmente. Inclusive pode ajudar a evitar o excesso de pessoas entrando no estádio em cima da hora dos jogos", - comentou Caio.

A opinião é compartilhada por André Almeida do jornal O Povo: "Isso também ocasiona muitos problemas na entrada, por que o torcedor fica lá fora até a última hora bebendo até o último minuto de entrar e quando começa o jogo vai querer entrar todo mundo de uma vez. As vezes não existe a logística adequada para receber esse tipo de comportamento e acaba ocasionando problemas na entrada, tumulto, principalmente nos jogos mais lotados. Se o torcedor pudesse chegar mais cedo e ficar lá dentro do estádio comprando sua cerveja, tomando uma lá dentro, ele ficaria até mais tranquilo. Chegaria cedo, se programaria melhor." - comentou André que também citou o caso da venda na Copa do Mundo não ter ocasionado problemas: "É só pegar como exemplo a Copa do Mundo, que se vende bebida no estádio. Por que na Copa do Mundo vende e em outros eventos não pode vender. Eu acho que tem que liberar. É um atrativo a mais pros torcedores, muita gente acaba não indo por que não tem bebida no estádio, o cara quer ficar bebendo, principalmente no final de semana, quer tomar uma cervejinha pra acompanhar o jogo e não pode.". 

Também da Tribuna Band News, Jussiê Cunha não concorda na comparação entre Copa do Mundo e os jogos locais: "Não se pode comparar é com um público de Copa do Mundo, não tem absolutamente nada a ver, o perfil é completamente diferente. Perfil de público é diferente, estrutura do jogo é diferente, logística é diferente, tudo é diferente" - opinou o jornalista. Jussiê também se mostrou contrário à venda, citando a incapacidade dos organizadores de gerirem a situação: "Eu sempre fui muito contrário, sempre fui um defensor da proibição. Sempre fui contrário a venda de bebidas alcóolicas  por que acho que o estado, quem gere futebol, quem administra, não tem capacidade pra incluir ainda mais esse elemento em um ambiente tão tenso que é um estádio de futebol", porém citou que o maior problema é impunidade de quem comete atos de vandalismo e a falta de fiscalização: "Eu sou contra a partir do momento que a gente consiga de fato fiscalizar. Sou contra a venda de bebidas alcóolicas, mas sou contra a proibição, uma vez que nós somos incapazes, não temos nenhuma ferramenta para de fato cumprir a lei." - completou Jussiê.

CLUBES E FEDERAÇÃO

Procurados por meio de suas Assessorias, tanto Ceará quanto Fortaleza nos informaram que iriam esperar o resultado da votação para se pronunciarem. Em novembro do ano passado, em entrevista para o jornal Diário do Nordeste, o presidente alvinegro Robinson de Castro se pronunciou: "O que a gente quer é transformar em uma venda oficial, uma venda formal e não uma venda informal, que é como acontece hoje fora do estádio", enquanto o presidente tricolor Marcelo Paz definiu que a pauta era legislativa e o clube não iria se posicionar.

Na tarde da última quarta-feira (03/04), o vice-presidente do Fortaleza, Marcello Desidério comentou a votação em seu Twitter. O dirigente tricolor falou da problemática da entrada da Arena por conta da bebida nos entornos do estádio: "Regular o que hoje é feito de forma desregrada. Gerando transtornos na hora de acessar ao estádio, vez que o torcedor - no seu sagrado direito consumir uma cerveja gelada - se vê obrigado a ficar fora do estádio ate os últimos minutos que antecedem o início da partida, para só então entrar junto com uma multidão de 14.000 pessoas ao mesmo tempo." - comentou Desidério.


Não é a primeira vez que o mesmo comenta sobre a liberação das bebidas, já se pronunciando na mesma entrevista citada acima no Diário do Nordeste: "A gente entende que o consumo da bebida alcoólica dentro do estádio vai facilitar a acessibilidade do torcedor, porque ele vai chegar antes, vai consumir dentro, não fora do estádio. É uma discussão que está madura para ser feita. Ano que vem vamos ter grandes públicos". 


O presidente da Federação Cearense de Futebol, Mauro Carmélio, também comentou a decisão e usa a Copa do Mundo de 2014 como exemplo: "Nós vemos que a venda de bebida alcoólica é normal. Nós temos um evento da Copa do Mundo onde é vendida e não há nenhum problema. Não se pode associar violência com o jogo dentro do campo", e comentou sobre os limites e regulamentações da possível liberação: "A venda deve ser feita somente durante a partida de futebol, vetando ao fim do jogo, podendo ser feita apenas com obtenção de alvará para realizarem a comercialização. Os consumidores receberão apenas em copos descartáveis, proibindo a utilização de latas e garrafas de vidro, até para proibir arremessos dentro do campo e não prejudicar o clube" - falou o dirigente. 

QUEM É CONTRA

O antigo Secretário de Estado do Esporte no Ceará, Euller Barbosa lançou uma nota e questionou sobre como será feita a fiscalização nos estádios do interior onde o poder público é limitado: "Não é difícil imaginar este cenário sendo potencialmente mais perigoso com a liberação da venda e do consumo de bebidas, também na área interna dos estádios. Isto levando em conta o Castelão, onde tudo é minunciosamente preparado e, ainda assim, enfrenta-se uma carrada de problemas. E quanto aos outros estádios de futebol espalhados pelo Interior? Como o consumo desenfreado de bebidas conviverá com uma realidade bem limitada de infraestrutura e de presença do Poder Público?" - escreveu o ex-Secretário.

O Ministério Público do Estado do Ceará também se posicionou contra. O Coordenador do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudtor), o promotor Edvando França comentou em entrevista ao jornal O Povo que a ausência de violência no estádios se deve à proibição: "Estamos há quase cinco anos sem confusão nos estádios (no Ceará). Vamos repercutir na sociedade. Se aprovado (em plenário), vamos procurar o governador para que ele não sancione". - comentou Edvando.

TORCIDAS ORGANIZADAS

Tentamos contato com a Leões da TUF, mas até o encerramento não conseguimos nenhuma palavra, porém a torcida esteve presente para discutir com outras TO's sobre a aprovação da venda de bebidas na Assembléia na última quarta-feira (03/04). Já a Cearamor, principal organizada do Ceará se posicionou por via de uma nota. Confira a nota completa que cita casos nos estádios do Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte:

Sabe por que somos a favor da comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol?
É pelo simples fato de saber que quem é contra, alega que com o torcedor não ingerindo tal bebida, evitará que esse mesmo se meta em confusões, em conflitos, brigas! Só que essa bebida que é proibida de ser vendida do lado de dentro, tem comercialização livre do lado de fora, ou seja, o torcedor não deixa de consumir! É simples!
Será que vão querer também proibir o torcedor de beber do lado de fora? Vão querer mesmo afastar cada vez mais o torcedor dos estádios? Esse é o tal futebol moderno que querem implantar?
Dizer que a bebida alcoólica tem ligação direta com a violência, é no mínimo imoral, é querer ludibriar a sociedade, pois com o livre consumo aos arredores dos estádios, o número de ocorrências de brigas é zero na parte de dentro das arenas.
Temos o estado do Rio de Janeiro, que tem comércio dentro do estádio do Maracanã, e com trabalho de prevenção do GEPE (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios), tem níveis baixíssimos de atos violentos dentro e nas redondezas do estádio, também como exemplo, temos nosso vizinho, o estado do Rio Grande do Norte, que tem o estádio Frasqueirão, do ABC, que também tem a venda de bebidas livre em seu interior, e o índice de violência é zero!
O problema de segurança pública existe, e isso sim é que tem que ser combatido, nossa diretoria tem total diálogo com as autoridades competentes para fazer um trabalho de prevenção, e assim estamos freando os confrontos estre às torcidas, algo que não tem ligação nenhuma com a venda de bebidas no estádio!
Se nossos governantes estiverem mesmo preocupados com o bem estar do torcedor, se preocupem em colocar mais linhas de ônibus após os jogos, se preocupem em colocar mais policiamento nas ruas, falsos torcedores se aproveitam de tal oportunidade para fazer pequenos furtos no entorno dos estádios, esse tipo de ação é comum, e nenhum deles parece ter ingerido alguma bebida alcoólica!
Com a comercialização na parte interior das arenas, diversos empregos diretos e indiretos serão criados, sem contar a vantagem de o torcedor poder escolher em consumir sua bebida dentro ou fora do estádio, fazendo assim, com que aquela grande aglomeração nos portões de acesso ao estádio se forme momentos antes do início das partidas, enfim, o bom senso deve prevalecer, e esperamos que logo após a votação na assembleia legislativa do nosso estado, o nosso governador Camilo Santana possa ver essa ação com bons olhos e sancionar a lei!
Deixem o torcedor se divertir, deem a oportunidade dele se sentir um pouco melhor na sétima cidade mais perigosa do mundo, proibir bebida alcoólica dentro de um estádio de futebol, não vai melhorar em nada esta triste realidade!

BEBIDA GERA MAIOR VIOLÊNCIA NOS ESTÁDIOS?

Em 2014, quando ainda era proibida a venda de bebida nos estádios em praticamente todo território nacional, o jornal O Globo noticiou pesquisa que o Brasil era o recordista de mortes em estádios de futebol. De acordo com a pesquisa, foram 71 mortes entre 2012 e 2014, sendo 23 em 2012, 30 em 2013 e 18 em 2014, mas de acordo com o pesquisador Eduardo Murad, apesar da queda nos números, o requinte de violência aumentava: "Embora tenha havido 18 mortes, menos que em 2012 e 2013 (quando houve 23 e 30, respectivamente), constatou-se requinte de violência em alguns casos. O mais agudo foi o do arremesso de dois vasos sanitários, no Estádio do Arruda, por torcedores do Santa Cruz sobre rivais do Paraná Clube" - comentou o pesquisador na época.

Em maio do ano passado, um grupo de pós-graduados da Universidade Federal de Pernambuco efetuou uma pesquisa a dizer que a proibição da venda de bebidas nos estádios não diminuiu a violência nas praças esportivas, sendo compartilhada pelo Jornal do Commercio. Um dos pesquisadores, Jadielson Moura argumentou que o horário do jogo influencia mais na violência: "Percebemos que o horário das partidas também influenciam na tensão do jogo. Quanto mais tarde, maior o número de ocorrências." - comentou o pesquisador. 

E você, torcedor? Concorda com qual lado? 

Por Luca Laprovitera e Ricardo Tavares