Bora Leão: Motivacional
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terça-feira, 19 de junho de 2018

Fantasma para exorcizar

Postado por Luca Laprovitera às 23:52:00 terça-feira, 19 de junho de 2018
Fortaleza lamenta gol do Oeste que evita o acesso em 2002, em pleno PV.
(Foto: Gabriel Gonçalves/O Povo)
Águia de Marabá, Sampaio Corrêa e Brasil de Pelotas, fantasmas antigos dos dolorosos anos da Série C que foram exorcizados. O Águia ainda naquele inferno em forma de divisão para o torcedor tricolor. A vingança pelo gol de Torrô em 2010 veio no Castelão com goleada e rebaixamento do time paraense. 

O do Sampaio veio com juros, depois de nos tirarem em pleno Castelão em 2013, eliminamos a Bolívia Querida no Castelão deles e fomos para a final do Brasileiro no ano passado e voltamos a vencê-los esse ano. Sexta passada, 2x0, difícil, como tem que ser, e a eliminação na prévia do nosso aniversário em 2015 foi vingada. 

Sábado, 19 horas, depois de um dia inteiro de Copa do Mundo um velho conhecido nos enfrenta. Se em 2012 o palco foi o PV, em 2018, o estádio de Copa, a Arena Castelão irá receber esse confronto tão esperado pelo torcedor tricolor. 

Todos temos na memória o tal "Jogo do Século", time de melhor campanha na Série C, invicto em casa, entrava em campo com o resultado que o classificava, PV lotado para lembrar do acesso no mesmo local de 2002 quando o também paulista Jundiaí caia diante de nós, mas o sonho virou pesadelo e um doloroso 3x1 nos assombrou por anos. Foi ali que muitos entenderam que a Série C já não era mais algo passageiro e sim um problema, um tumor que precisava ser eliminado. 

Levou mais algum tempo, mas entre erros e acertos, o tal dia finalmente chegará no próximo sábado. Percorremos longos 2.050 dias para vermos novamente o Oeste que na época era de Itápolis e hoje reside em Barueri. Dos 27 atletas que jogaram naquele 11 de novembro, apenas o zagueiro Ligger que na época defendia o Oeste e hoje está no Fortaleza estará novamente em campo.

O jogo de sábado não é como qualquer outro. Não é apenas vencer e se manter cada vez mais líder. Sábado é a hora de exorcizar um fantasma antigo, para deixar velhos medos para trás e seguir para novos horizontes e conquistas. É gritar para voltarmos a uma divisão, mas dessa vez a correta, onde queremos e devemos estar.

Por Luca Laprovitera 

domingo, 13 de maio de 2018

Obrigado Osvaldo

Postado por Luca Laprovitera às 02:25:00 domingo, 13 de maio de 2018
Osvaldo em 2008 (em cima) e em 2018 (em baixo) pelo
Fortaleza. (Fotos: O Povo)
Olá, Osvaldo! Não sei se você irá ler esse texto, mas saiba que ele é feito para você. É como se fosse uma carta de agradecimento de uma pessoa que acompanha por tanto tempo e tanto tem orgulho de ti. Sabe, é até irônico que naquele 5 de novembro de 2006, quando você pela primeira vez atuou em uma partida profissional, justamente no Castelão, justamente contra o Goiás e em um placar por 3x0, só que na época infelizmente para eles. 

No dia 12 de maio de 2018, quase doze anos depois, no mesmo palco só que hoje melhorado pelas reformas da Copa, contra o mesmo adversário você se despediu mais uma vez da gente e o 3x0 foi novamente o placar, só que dessa vez te favoreceu, mas as lágrimas foram as mesmas. 

Em 2006, saí do Castelão aos prantos, aquele jogo praticamente nos rebaixava à Série B. Hoje saí sem saber ainda o que você falara para o Caio Ricard na Sportv. Talvez nem chorasse, mas no mínimo ficaria engasgado pela emoção. Osvaldo, te conheci ainda na base, garoto magro, franzino, vi cada passo da sua carreira com orgulho e admiração. Vi sua estreia, seu primeiro jogo como titular contra a Ponte Preta algumas rodadas depois, já no PV com Daniel Frasson substituindo Roberval Davino no comando. 

Acompanhei atentamente os escassos blogs piauienses em 2007, quando você, Teles, Eusébio e Wanderson comandavam o River ao título piauiense com apenas uma derrota em 18 jogos. Você foi eleito o melhor jogador do torneio e fez gol nos dois jogos das finais contra o Barras. Estive no seu primeiro gol pelo Leão, um 2x1 sobre o Paulista de Jundiaí, na penúltima rodada da Série B de 2007, com o Fortaleza comandado por Silas. Você abriu o placar e foi um golaço, Fábio Vidal que jogara no rival empataria no fim do primeiro tempo e Daniel Sobralense, aquele da música do chapéu nos daria a vitória aos 48 do 2º tempo, seria ironia demais se fosse aos 47.

Em 2008, acompanhei atentamente seu desenvolvimento, os gols na final contra o Icasa, as críticas, o pior momento da sua vida e te apoiei mesmo quando a ordem parecia te criticar. Lembro até de um tópico que criei no já finado Orkut, "Oi, Meu Nome é Osvaldo" em referência aos seus dados e números, defendendo que você era um bom jogador, e quem diria, alguns meses depois você mostraria que realmente era. 

Osvaldo, você foi herói para não termos caído em 2008. Fez coisas impossíveis em Natal, Campinas e Bragança Paulista. Depois ganhou seu lugar entre os nossos imortais diante de 50 mil apaixonados contra o Brasiliense no Castelão. Vi seu primeiro último gol contra o Itapipoca, 4x1, dentro da nossa casa, no Pici e seu primeiro último jogo contra o Guarany. Lembro até da data, 14 de janeiro de 2009. Como esquecer? O frango do goleiro adversário no chute do Nenê, Clodoaldo pela primeira vez no Alcides Santos desde a ida para o rival, sua despedida, o placar poderia ter sido mais justo, apenas 1x1.

Daí comecei a te ver de longe. Vi com todas as dificuldades sua rápida passagem pelo Al-Ahli, mas o suficiente para ser campeão nos Emirados Árabes. Acompanhei e sofri com suas lesões no Braga, em Portugal. Entendi você ir para o rival, em 2011, mas me chateei pelas provocações, te perdoei depois, são coisas da idade e olhava seus gols e lances, sua tentativa de salvá-los da queda e via aquele menino veloz, agudo que despertou a minha atenção lá em 2006. 

Me enchi de orgulho quando você vestiu a camisa do São Paulo e vibrei quase como se fosse do Fortaleza o seu gol contra o Tigre na final da Sul-Americana em 2012. Ver seu nome na lista de convocação da Seleção Brasileira para os jogos contra Itália e Rússia em 2013, minha nossa, nem acreditava, e te ver com a Amarelinha contra a Bolívia parecia irreal. Era um dos sonhos, meninos do Leão, com a camisa pentacampeã, tinha orgulho como se te conhecesse pessoalmente. 

Mas a vida nem sempre é justa. Acompanhei você pelo Al-Ahli, agora de Doha na Arábia Saudita, por Fluminense e Sport, junto com isso tudo, novas lesões, uma série de momentos difíceis que fazem parte dessa vida no futebol. No fundo eu desejava você com a camisa que te lançou, aquela que você aprendeu a amar e respeitar lá no comecinho, e então, no dia 18 de fevereiro desse ano, a casa era sua novamente.

Osvaldo em sua apresentação de volta ao Fortaleza.
(Foto: Ronaldo Oliveira)
A estreia viria dias depois, contra o Iguatu, dia 1º de Março. Você não precisou nem de 10 minutos em campo para fazer a diferença. Jogada do Felipe, passe certeiro seu e o gol de Gustavo, 2x0. Três dias depois, na sua primeira jogada no Clássico, aquilo deveria ter sido proibido para menores de 18 anos e quem diria que mesmo a defesa afastando, Bruno Melo acharia Gustavo livre para o gol? 

Acompanhei atentamente cada lance seu. O primeiro gol pela segunda vez, agora contra o Ferroviário. O segundo gol, agora contra o CRB, mas eu não queria pelo menos tão cedo ver novamente você se despedir. Até sexta pensava que você ia negociar uma possibilidade de empréstimo e agora descubro que de novo você vai nos deixar. 

Entendo, Osvaldo, a Tailândia paga bem. Sei que não é fácil deixar a nossa casa e que realmente dói. Sei que às vezes passamos tanto tempo fora que nem nos lembramos como é, e esquecemos aquele sentimento, e quando temos que deixar mais uma vez, dói. Irei querer sempre o melhor para o meu clube, mas continuarei te acompanhando atentamente no Buriram, cada jogo e cada gol.

Que nossa despedida dessa vez não dure uma década e sim alguns meses, porque aqui é sua casa. Foi no Pici onde você saiu garoto e voltou homem. Só tenho que te agradecer pelos dribles do lado esquerdo, pelos gols, passes e assistências, mas especialmente pelo respeito demonstrado mesmo quando alguns diziam que o Fortaleza seria suas férias de luxo, mas na verdade foi alvo de muita vontade e carinho. Suas lágrimas não foram solitárias, mas volte logo, que seu sorriso também não será. 

Obrigado, Osvaldo! 
Osvaldo no banco após completar seu último jogo
pelo Fortaleza. (Imagem: Sportv)
Por Luca Laprovitera 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A semana que dura 8 anos

Postado por Luca Laprovitera às 23:15:00 quarta-feira, 11 de abril de 2018
De joelhos, Toinha agradece o acesso em Juiz de Fora
(Imagem: Esporte Interativo)
Quarta-feira vai chegando ao fim, a semana demora a passar e uma ansiedade vai crescendo hora após hora. O sono parece ser cada vez menor, os gordinhos querem comer mais, os mais magros comem ainda menos, um pesadelo que nos atormentou por longos oito anos acaba nessa sexta-feira, caso essa semana de duração infinita, que também parece durar esses malditos oito anos, antes dela acabar.

Tudo começou um pouco antes das 18 horas do dia 21 de novembro de 2009, o Fortaleza perdia para o São Caetano-SP no Castelão antes mesmo de ser Arena por 2x1 e depois de dez anos gloriosos, voltava para a Série C. Foram longos 3065 dias, dentro de 438 semanas, se na época chorávamos a decepção no finado orkut, ano passado comemoramos pelo Twitter, YouTube, Facebook, Instagram, o que havia de rede social disponível. 

Foram períodos difíceis, nem sempre lutamos para subir, houveram algumas glórias como o tetra, o gol de Cassiano, o bicampeonato, tirar o Flamengo da Copa do Brasil. Grandes jogadores deixaram sua marca, Fabiano, Corrêa, Anselmo, Lima, Ricardo Berna, Waldison, foram tantos que deram a vida, mas por detalhes infelizmente não conseguiram alcançar o que tanto mereciam. Alguns abandonaram, mas a maioria ficou, não abandonou nunca esse time no momento mais difícil e mesmo com tantas dificuldades a nossa massa cresceu, ficou ainda mais fiel, mais apaixonada, o que parecia impossível aconteceu, o Fortaleza conseguiu virar ainda mais gigante, carregado nos braços por milhões de apaixonados. 

Alguns vão tirar sarro disso, mas eu não me importo porque o amor pelo Fortaleza é maior do que tudo isso. Porque mesmo nas brincadeiras, muitos torcedores de outros clubes irão se identificar em algum momento, daquele objetivo que tanto perseguiram, que batiam na trave, que eram um trauma, um fantasma, até o dia que finalmente conseguiram, aquele sentimento de dever cumprido, aquela liberdade no coração. 

Não sei se sexta-feira conseguirei segurar as lágrimas, provavelmente não, afinal nem escrevendo esse texto consegui. Por oito anos doei alma, suor, horas de sono, voz, amor por esse time, eu e milhões. Não desisti por um minuto sequer, sei que vocês não, eu só quero que sexta, às 19:15, meus olhos estejam vidrados quando Fortaleza e Guarani perfilados entrarem em campo, no meu pensamento uma só frase irá ecoar: "O pesadelo acabou!" 

Por Luca Laprovitera 

sábado, 23 de dezembro de 2017

O dia que eu fui mais vencedor, eu perdi

Postado por Luca Laprovitera às 01:01:00 sábado, 23 de dezembro de 2017
Imagem: TV Leão
Sei que os últimos dias vem sendo complicados, mas me desculpem, eu só quero falar de Fortaleza. Alguns reclamam que eu uso o fato de ser ex-funcionário para contar certas histórias, mas são testemunhos que eu gosto de compartilhar, que são bem pessoais meus e hoje vou falar do nosso acesso, para encerrar 2017 e esquecer esse inferno que foi a Série C e dar início a um novo momento para todos nós, sem jamais deixar de lado os erros do passado, para não repetirmos no futuro.

Tudo começou ainda no dia 9 de outubro de 2016. O Fortaleza chegava para enfrentar o Juventude no Castelão. Estava com o celular do nosso auxiliar de Assessoria (e hoje fotógrafo do Diário do Nordeste) Saulo Roberto fazendo a live da chegada do time no vestiário para a página do clube. Não contive as lágrimas, chorava ao lado do Joaquim Neto, o Juba, cantava cada refrão de "Dá-lhe, Dá'lhe Tricolor" a plenos pulmões, pensava que finalmente era nosso dia. 

Vi o primeiro tempo inteiro do Skybox, mas no intervalo desci fui para atrás do gol de Ricardo Berna e vi perfeitamente todo movimento do gol de Hugo, e me via a mente: 'de novo não'. Vibrei no gol de Pio, fui chamado a atenção e até mesmo retirado do gramado pelo quarto árbitro, mas Rosinei me escondeu no banco de reservas. Todos nervosos, a bola não entrava, não entrou, fim de jogo. Minha única reação foi deitar no chão e chorar, fui levantado por Davi Matos, cinegrafista da Esporte Interativo, pediu para me recompôr. Puxei jogadores para dentro do vestiário e nas escadarias da zona mista chorei ao lado de Marcos Matheus. 

Ao entrar no vestiário, parecia um velório, muitos sequer conseguiam ir para o banho. Atletas como Railan, dos mais brincalhões sequer conseguiam falar tamanha tristeza, naquele dia decidir sair do Fortaleza, para 48 horas mais tarde olhar nos olhos do nosso Assessor de Imprensa Fábio Marques e dizer: 'Eu vou subir esse time!' Saí e voltei do Fortaleza, deixei de ser Assessor de Comunicação, dois meses depois fazia parte da TV Leão, Luis Eduardo Girão me dava a chance de concretizar aquilo que eu via parte do meu destino, ver o Fortaleza subir. 

Chegamos ao dia 16 de setembro de 2017, estamos de volta ao Castelão, o adversário dessa vez é o Tupi, o jogo ao invés do segundo, era o primeiro. 40 mil cantavam na arquibancada quando Bruno Melo recuou para Leandro Lima, pela primeira vez em mata-mata estávamos na frente. Enquanto todos comemoravam, eu só sabia chorar. Foi assim também no pênalti de Bruno Melo, apenas lágrimas, emoção descendo dos olhos. Desci para a zona mista nos acréscimos, chorava sozinho nas escadas da zona mista, Luis apenas me pediu calma e dizia: "nada ganho ainda". Ele tinha razão, a cada jogador que passava, apenas palavras de apoio e abraços apertados, ainda tinha Juiz de Fora.
Eu e Arthur no avião na primeira foto.
Na segunda Paulo Matheus e eu na frente do hotel, em Juiz de Fora.
Peguei um voo cedo na quinta-feira (21/09) de manhã com destino para o Rio de Janeiro junto com o câmera da TV Leão, Paulo Matheus, e o na época Auxiliar de Marketing, Arthur Salgado. Com bastante turbulência, chegamos por volta das 8:30 na capital carioca e de lá partimos para Juiz de Fora em um carro alugado. 

Nos dois primeiros dias pouco vimos do jogo, foi apenas na sexta à noite que os primeiros tricolores apareceriam na cidade. Nos encontramos em maioria no Alto dos Passos, uma rua onde ficam alguns bares da cidade, o clima era de ansiedade, confiança, mas obviamente bastante nervosismo. 

No dia seguinte acordamos por volta de meio-dia, o preparador físico do time Celso Santos se juntou a gente no almoço e em seguida, eu, ele e o Paulo Matheus fomos em direção ao haras que o time estava concentrado próximo a cidade. Conversamos rapidamente com alguns jogadores e com o na época presidente Luis Eduardo, parti com o Paulo Matheus para o estádio Mário Helênio. 

Chegamos três horas e meia antes do jogo, a cada minuto parecia uma eternidade. Colegas de imprensa chegavam, apesar do 2x0 no primeiro jogo, o histórico ruim era tão forte que parecia que precisávamos do resultado. Passa-se um pouco das 19 horas, o Fortaleza chega no estádio, abraçamos os atletas um a um, nervoso, não consigo esboçar nenhuma reação, tinha que ser aquele dia. 

A cidade estava bem fria, o estádio por ser dentro de um buraco parecia ficar ainda mais gelado. Pego uma câmera fotográfica, invento que irei tirar fotos e fico no gramado com Paulo Matheus. Rola a bola, jogo nervoso. Fico atrás do gol que o Fortaleza ataca, do outro lado o Tupi chega, visão ruim, coração na mão, começavam as duas horas mais longas da minha vida.

O Tupi chega primeiro logo no início da partida, Everton escorrega, meu coração dispara, parecia roteiro de desastre. A bola é chutada em diagonal e Italo empurra pro gol, minha nossa, 1x0 Tupi! Nossa zaga inteira levanta a mão, o juiz Marcelo de Lima Henrique olha pro assistente Maicon Correia, marcado o impedimento, o alívio pairava e eu respirava um pouco mais. 

Logo depois a bola é cruzada, Marcelo Boeck, o único incriticável durante todo o ano, o ídolo, herói, o paredão sai mal, solta a bola nos pés do adversário que passa para Romarinho livre chutar apenas com Adalberto e Felipe em sua frente, mas com posicionamento insuficiente para tirar a bola e novamente na minha cabeça: 'vai ser traumático assim?", mas a sorte parecia nos sorrir, e o filho do baixinho do tetra isola a bola.

O Tupi pressionava, vinham de novo pela direita, Italo entrava livre e parecia ser ali, mas o dia era definitivamente nosso eu pensava, a bola batia no travessão e saia, era a nossa vez. Nossa melhor (e única) chance veio de um lançamento de Leandro Lima para Hiago que limpou e chutou, a bola cruelmente desviou em Helder e passou ao lado do gol. Minutos depois, fim de primeiro tempo, só 45 minutos pela frente.
Hiago e Lúcio Flávio se abraçam após o jogo.
(Foto: Bruno Ribeiro/GE.com)
Começa o segundo tempo, fico novamente atrás do gol que o Fortaleza atacava. Junto comigo e Paulo Matheus ficam o preparador físico Pacheco, os atletas que aqueciam para entrar e alguns membros da comissão como o Supervisor Álvaro Augusto, Toinha, Fábio Marques e o segurança Wellysson. 

O Tupi entra no desespero e a gente também, afinal faltavam 45 minutos para o nosso sonho, perder ali seria o ápice da crueldade do coração tricolor. O Tupi acerta o travessão em jogada aérea, tem gol anulado, tem milagre de Marcelo Boeck, o roteiro do sofrimento parecia ter mudado de lado. Só que o futebol é traiçoeiro e com o Fortaleza nada vem fácil.

Lúcio Flávio sobe livre e cabeceia, era ali, o gol do acesso, mas para ser o nosso acesso não poderia ser tão fácil. Como diria Galvão Bueno: 'a bola tirou tinta da trave e saiu'. Poucos minutos depois, em um bate-rebate dentro da área, Edmário cabeceia, Fernando chuta, Boeck defende e tenta dominar, não deu, o próprio Fernando chuta o que vê pela frente e abre o placar aos 36 minutos. Eram mais nove minutos, e ainda os acréscimos de sofrimento. 

Quem aquecia pedia os replays dos lances na câmera. Ronny não se aguentava, dividia a atenção entre o campo e os momentos que Paulo Matheus capturava. Eu e Wellysson olhávamos no cronômetro, cada um com o seu, e a cada 30 segundos informávamos quanto faltava, eram oito anos a serem decididos em um pouco mais de 10 minutos. 

O Tupi continua em cima, chute de longe, no ângulo e eu pensei: 'Não, de novo não, não é possível!'. E não era, Boeck foi em defesa que virou quadro e tatuagem, inspirado nos grandes goleiros da nossa história, sua mão direita foi a de Maizena, Bosco, Salvino, Lulinha, Pedrinho, e tantos outros, defenderam juntos, eram ali 100 anos de paredões fazendo aquele defesa, era sobrenatural, era hora de tanto sofrimento acabar.

Continuo contando os segundos com Wellysson, mas o tempo teimava em não passar, o frio ficava cada vez mais desconfortável, o coração batia cada vez mais rápido, era hora de acabar. Chegamos aos 49 minutos, a zaga corta, Hiago recebe a bola e chuta apenas de lado, Marcelo de Lima Henrique apenas levanta o braço, eu apenas escuto o apito.
Marcelo de Lima Henrique apitando fim de jogo.
(Imagem: Esporte Interativo)
O mundo ficou silencioso, a única coisa que eu escutava, ainda que de forma distante mesmo estando a 2 metros um do outro eram os gritos de 'CARALHO! CARALHO! CARALHO!', completamente emocionados de Paulo Matheus. Eu apenas caí, como um ano antes, caí e chorei. Deitei sem nenhum receio no gramado molhado e me isolei do mundo, só quem viveu esses anos sabe a reação de finalmente sair desse inferno. Me vieram muitas lembranças em mente. Os salários atrasados, os eventos perdidos, o olhar de decepção de cada um que amamos quando colocávamos o amor pelo Fortaleza na frente, tudo aquilo teria que valer a pena, e valeu, por todos que me apoiaram nos momentos mais difíceis, por todos que me levantaram no momento de maior descrédito, por cada ombro em que eu chorei, valeu por minha companheira Melina, pela minha sogra, pela minha irmã, pelo meu sobrinho, pelos meus pais, amigos, colegas, depois de oito anos eu voltava a sorrir sem peso sem nenhum, estávamos livres.

Me emociono apenas de escrever isso e lembrar. Me levantei e abracei todos em minha volta, cruzei o gramado e fui cumprimentado por Romarinho, cheguei e olhava tudo, meio como espectador, até que com um chute Marcelo Boeck me desperta, era o abraço do herói, que sobrevivia para entrar na história, a quem eu sou grato por tanta coisa dentro e fora de campo até hoje. Wellington Reis chega completamente ensandecido, me abraça e levanta, no alto dos meus 120 kg, era muita emoção. Emoção tanta, que eu, um ateu, participei de uma roda de oração. Era hora de agradecer, acreditando ou não, era a minha forma de agradecer cada um que deu de tudo para aquilo acontecer.

Hoje, exatamente três meses depois daquele dia, lembro como se fosse alguns minutos atrás. Ainda consigo ouvir aquele silêncio de emoção, consigo sentir o cheiro do gramado, consigo sentir o molhado da grama que me deitei, consigo lembrar da emoção, dos sentimentos, de todos que eu me lembrei, das histórias que eu vivi e passaram na minha cabeça, do sentimento de dever cumprido que me veio no coração. Quem diria, que o dia que eu fui mais vencedor, eu perdi? A derrota foi apenas no placar, para uma vitória muito maior para o nosso clube e para cada um de nós.

Feliz festas, e uma grande Série B para todos! Bora Leão!

Por Luca Laprovitera 

domingo, 3 de dezembro de 2017

O vídeo que mudou a história

Postado por Luca Laprovitera às 12:29:00 domingo, 3 de dezembro de 2017
(Foto: Fortaleza EC/Reprodução)

Enquanto gasto minha madrugada minutando os episódios finais do Documentário do Acesso me vem a cabeça os momentos vitais para tudo isso ter acontecido e vou contar para vocês a história de como esse vídeo teve seu papel no que aconteceria pela frente.

LEG, como chamamos Luis Eduardo disse que seria importante a veiculação naquele momento, eu e outros presentes como o Pedro Arthur Salgado achávamos que não era o melhor momento, mas mesmo assim concordamos em assistir o vídeo para fechar a decisão no consenso de todos da equipe.Com 28 anos de idade, cresci como torcedor acompanhando Clodoaldo e sua magia, sofri com sua saída, mas qualquer mágoa que eu teria dele se apagaria naquela fatídica terça-feira. Dois dias depois, na quinta-feira seria feriado de 7 de setembro, teríamos um treino aberto à torcida para apoiar o elenco que jogaria a última e decisiva partida da Fase de Grupos da Série C contra o Moto Club, seria no feriado da Independência, no fim da manhã que o vídeo seria veiculado.


Chego o dia do treino, o vídeo é veiculado e contrariando tudo que acreditávamos antes de vê-lo, a recepção parecia bem positiva. À tarde chegava ao Pici e me encontraria com a minha equipe da TV Leão Bruno Oliveira e Paulo Matheus para filmar o treino. Nos é informado que Clodoaldo iria ao Pici no fim daquela tarde e falaria com o elenco. De imediato começamos um trabalho por conta própria, mostrar para o máximo possível de atletas o vídeo e explicar a eles quem era aquele baixinho de curtos lances magistrais que pedia perdão.
Torcida lotou o Pici (Foto: Pedro Chaves)

As arquibancadas do Alcides Santos estavam lotadas, a torcida pulsava de apoio, não sei se estava relacionado, mas gosto de pensar que a emoção do vídeo e do perdão contagiaram o coração de todo tricolor naquele dia, que no dia da Independência, pudéssemos ser livres de algo que nos atormentou por oito anos.

No fim da tarde Clodoaldo chega ao Fortaleza escondido no carro de um amigo, entra por trás dos vestiários e chega até a prédio Manoel Guimarães. Lá o elenco e comissão iriam se encontrar no 1º andar na Sala de Troféus, uma reza coletiva e apoio de todos que ocorria antes da equipe concentrar.
Os jogadores de fora já estavam familiarizados com Clodoaldo graças a nossa maratona vespertina, o cumprimentavam com todo respeito de quem eles sabiam que fazia parte da história. 

Então estão todos lá, todos se abraçam, o círculo se fecha, do lado de fora alguns torcedores que não retornaram as suas casas notam que tem pessoas no prédio, não sabem se são jogadores ou não, mas cantam de forma apaixonada o hino como se estivessem fazendo uma serenata na arquibancada.

O clima até então tão pesado vai perdendo força, Luis Eduardo fala, então é a vez de Marcelo Paz, Bosco em seguida e por fim Clodoaldo que um discurso simples: "Eu queria estar com vocês, mas infelizmente não posso. Eu queria entrar em campo, porque vocês não imaginam como é lindo quando essa torcida joga junto", ele fala um pouco mais, não chega a 1 minuto, mas o recado foi dado, estamos todos emocionados.

Nos cumprimentamos um por um, estávamos juntos do presidente e o capitão do time até nós da TV Leão que estávamos ali só para registrar algo que nem seria preciso no fim, o que aconteceu ficou gravado em nossas mentes e guardado em nossos corações, foi enquanto descíamos aquelas escadas que a confiança finalmente virava a certeza: "Vamos subir!"

Foi ali, naquele 7 de setembro que a história começou a ser feita, um baixinho que não era Davi derrubou o gigante que não Golias. O dia que Clodoaldo mesmo sem jogar, deu sua pequena contribuição para mais uma vez nos subir de divisão.

Nós da TV combinamos com o presidente que iríamos gravar, mas a medida que todos iam chegando desistimos, aquele momento era apenas nosso, com todo egoísmo que foi necessário ali. A medida que todos chegavam, viam aquele baixinho e o reconheciam, os antigos da comissão abraçavam como aquele velho amigo que de muito não viam, os jogadores locais o cumprimentavam emocionados, ouso a dizer que um deles até esboçou lágrimas de felicidade e outro ficou parecendo criança quando descobriu que a chuteira do comercial era dele.



No dia 5 de setembro os funcionários que faziam a comunicação do Fortaleza estavam reunidos na Delantero para definir como iríamos proceder durante aquela semana tão importante do jogo contra o Moto Club. A reunião era tão importante que o então presidente Luis Eduardo Girão estava presente, na ocasião começamos a debater o vídeo abaixo que deveria ter ido ao ar no dia 31 de agosto, conhecido como Dia do Perdão, porém com a derrota para o Confiança ficou guardado.


Por Luca Laprovitera

terça-feira, 26 de julho de 2016

Cinco motivos para ir para o jogo contra o América/MG

Postado por Unknown às 15:00:00 terça-feira, 26 de julho de 2016
Jorge Mota convocou 40 mil torcedores se fazerem presentes quinta-feira (Foto: Fortaleza EC)
Nesta quinta-feira (28), o Leão vai enfrentar mais um desafio esse ano e precisa do seu torcedor para conquistar o grande objetivo de passar para as oitavas de finais da Copa do Brasil contra o América Mineiro às 21 horas na Arena Castelão. Com isso, o Bora Leão listou cinco motivos para o torcedor comparecer ao estádio.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Chegou a hora!

Postado por Luca Laprovitera às 22:59:00 segunda-feira, 28 de março de 2016

Chegou aquele momento do ano que podemos dizer que o período de testes acabou, que os jogos que não valem mais nada já se passaram e tudo pela frente agora é uma decisão. Nas últimas três semanas superamos crise, cansaço e até mesmo a matemática para o momento que teremos pela frente. 

Na quarta-feira enfrentaremos o Bahia, principal clube da região, 100% de aproveitamento, provavelmente o adversário mais difícil até aqui. Domingo tivemos o Ceará, desfalcados, com erros de arbitragem, com um a menos, exaustos, saímos com um empate que poderia ter sido vitória, jogo após jogo vamos nos superando. Não podemos negar, a crise chegou, os públicos talvez não estejam ao nível do que podemos, mas é chegou a hora de mudar.

Marquinhos Santos clamou, Jorge Mota pediu, o time precisa, 40 mil não é obrigação, mas é necessário! Acabaram os jogos tranquilos, de agora até Outubro teremos apenas decisões, cabe a nós empurrarmos para que tenhamos o maior número possível delas. Vamos lotar, pular, vibrar e cantar como se não houvesse amanhã, porque eles precisam de nós, o Fortaleza precisa de nós, porque quando as pernas cansarem, nosso grito as dê força extra, quando a cabeça girar, que nossa vibração a que coloque no lugar, quando chegar no momento mais difícil a nossa confiança a torne possível, jogando juntos, sem pestanejar, como sempre foi. 

É hora é de sermos um só, pelo Fortaleza, por amor, pela glória!

Por Luca Laprovitera
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domingo, 17 de janeiro de 2016

Como comecei a torcer pelo Leão

Postado por Luca Laprovitera às 18:24:00 domingo, 17 de janeiro de 2016
Equipe do Fortaleza de 1997
(Foto: Arquivo Frank Pizzolatto)
Quando criança, na minha turminha, apenas dois garotos torciam Fortaleza, eu sendo um deles. Existia uma guerra entre meus tios sobre qual time eu torceria, pelo lado do meu pai, meu tio Jorge tentava de todas as maneiras me tornar Ceará, pelo lado da minha mãe, meus tios Miguel e Orlando Jr, além do meu avô Orlando me levavam a torcer Fortaleza.

Por influência de um garoto no meu condomínio adotei o Flamengo como time e por ver na TV, também adotei o Corinthians. Em 1997, a dupla Sandro e Frank fizeram não só eu me aproximar mais do Fortaleza, mostraram para mim, um garoto de quase 8 anos que existia respeito em torcer pelo Leão, que eu jamais deveria abaixar minha cabeça, não importasse a fase que ele vivesse. 

Eu vivi nos estádio no fim dos anos 90, depois de sofrer com Vitória de Santo Antão-PE, Viana-MA, Picos-PI, Cori-Sabbá-PI e para mim o mais traumático de todos, Tocantinópolis-TO. Os tempos mudaram, eu ia para PV e Castelão, vi meu time passaram 16 jogos sem perder do rival, vi subirmos duas vezes para a Série A, vi meu time ganhar 8 de 10 estaduais disputados, vi meu time vencer São Paulo campeão mundial, Corinthians campeão brasileiro, golear Vasco, Fluminense, Internacional, vencer o Flamengo em pleno Maracanã, vi garotos das nossas bases vestirem a camisa da Seleção Brasileira, e infelizmente vi meu grande amor, meu time, voltar a Série C.

Eu levei Corinthians e Flamengo comigo até minha adolescência. Foi em 2004, na Copa do Brasil, pelo apito de Antônio Hora Filho no Castelão, que pela primeira vez minha relação com "meus times" do Sudeste tremeu. Ali, por alguns dias, nasceu um ódio pelo Corinthians, um ódio que demoraria um ano até que eu finalmente visse, que aqueles momentos dados aqueles times não era amor, o choro não era verdadeiro, o sentimento infantil, era apenas uma fase e que apenas um clube era dono do meu coração e iria me seguir pelo resto da vida, Fortaleza e eu é como um casamento, entre altos e baixos, na riqueza ou na pobreza, estamos juntos. 

Hoje já são quase onze anos que eu fiz meus votos de ser unicamente Fortaleza, não foram as glórias, nem a Série A, foi um sentimento que aflorou e que mesmo hoje ele só faz crescer e a cada ano que passa eu quero estar cada vez mais ligado, cada vez mais participativo, cada vez mais tentando ajudar esse clube. O Fortaleza não era uma diversão para dizer que eu torço para um time grande, não é hobby e nem passatempo, o Fortaleza é minha religião, meu maior sentimento, é onde eu vario do certo ou errado, é onde mora meu coração. Minha história foi assim, e a sua?

Por Luca Laprovitera
Twitter: @lucalaprovitera

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz ano novo, nação!

Postado por Luca Laprovitera às 12:18:00 quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Existe algo mágico no ano novo. Para alguns pode parecer apenas um dia que muda, um número no calendário, para outros é a chance para reavaliar, saber o que fizemos de certo e errado, o que mudar no ano que chega. 

Nessa altura no ano passado, não tínhamos técnico, nem jogadores, nem cotas de TV, éramos uma incógnita depois de um doloroso fracasso na Série C. Um ano passou, o sócio alavancou, temos cotas e salários em dia, um elenco formado e treinando, uma comissão técnica trabalhando a todo vapor, um jejum terrível acabou, voltamos a sentir o gosto de gritar: "É campeão!", mas nem tudo são glórias, é hora de reavaliar. Um novo fracasso na Série C bateu a nossa porta e mais um ano de dor se aproxima. 

Existem duas formas de se lidar com essa dor, ficar em casa e esperar ela passar, ou lutar contra ela, indo no estádio, fazendo o sócio, apoiando e cobrando jogadores, comissão técnica e diretoria. Em 2016, serão dez anos desde que caímos na Série A, já são dez anos que nossas maiores glórias recentes nos separam, já é tempo demais, precisamos voltar ao nosso lugar de direito e temos que fazer isso juntos. 

O Bora Leão e toda sua equipe, André Maia, Bricio Vieira, Didio Theorga, Eduardo Damasceno, Emanuel Miller, Íbsen Fiúza, Juninho Marques, Luca Laprovitera, Lucas Barbosa, Marcos Matheus, Matheus Giffoni, Naumi Filho, Pedro Brasil, Thais Pontes e Victor Firmino, agradecem pelo apoio, pelo espaço e oportunidade que vocês nos deram em 2015 e queremos trazer bem mais em 2016, junto com alegria e sucesso nosso, de vocês e do clube que todos amamos. Tenham cuidado, mantenham a calma, não soltem fogos, bebam com segurança e se fizerem, evitem dirigir, queremos todos vocês conosco no estádio a partir do dia 3. Desejamos um Feliz 2016, com muita saúde, sucesso e felicidade! Um grande abraço e até 2016! 

Por Luca Laprovitera

sábado, 28 de novembro de 2015

Hora de voltar a realidade

Postado por Luca Laprovitera às 18:46:00 sábado, 28 de novembro de 2015

Foi bom enquanto durou, eles ganharam o Nordeste e a gente foi lá tomou o penta que tanto queriam. A gente estava perto de subir e eles afundados no rebaixamento. A gente não subiu, eles não caíram, o sentimento de frustração é grande, não só pelo não fracasso dos rivais, mas pelo nosso. Se acho que o Ceará merecia cair? Sim, acho, não se organizou e foi aos trancos e barrancos para ficar na Série B, o problema é que são apenas quatro vagas para "premiar" quem não fez um bom trabalho, mas pelo menos um sete mereciam nos fazer companhia. 

O Macaé? Cara, como um time pode ser tão odiado por uma torcida como a nossa? Foi nosso algoz ano passado dentro do Castelão e um ano depois tira no mesmo lugar a nossa alegria com nosso maior rival. As vezes infelizmente não dá certo, diretores erram, treinadores também, jogadores nem se fala, até a torcida conseguiu errar ao debandar para um vandalismo desnecessário, no fim? Dor, apenas isso!

Cada um vai lidar com isso de uma maneira diferente. Alguns xingarão, outros irão chorar não pelo rival e sim porque a gente podia pelo menos ter subido, outros simplesmente irão se fechar para 2015, eu vou ter que trabalhar, ossos do ofício, apesar desse novo baque na alegria tricolor. 

Se vou pedir paciência? Difícil, mas é preciso! Cobrança faz parte, irritação no momento também, mas precisamos mais uma vez nos unir porque foi assim que conseguimos crescer novamente quinze atrás, foi assim na sintonia entre torcida-diretoria-time que viramos um dos clubes mais difíceis de serem batidos no país por pelo menos cinco anos, chegar no PV ou no Castelão era sinônimo de sufoco, jogar contra a gente era ter certeza que se quisesse vencer tinha que fazer gol, porque pelo menos um iria tomar. 

Que da dor do nosso fracasso e não do adversário, que a nossa torcida cresça. Porque é quando a noite está mais escura que está perto do amanhecer. Que todo sofrimento tem um fim e o futebol é cíclico, e quem comemora hoje será o choroso de amanhã, e quem sofreu ontem será quem comemora hoje. Para a nação tricolor eu desejo força, compreensão e sorte, que os ventos de 2016 nos tragam de volta os ares vencedores e místicos que foram perdidos em algum nos últimos anos. 

Por Luca Laprovitera

domingo, 18 de outubro de 2015

A dor que muitos não entendem

Postado por Luca Laprovitera às 01:46:00 domingo, 18 de outubro de 2015

Hoje eu ia oferecer o texto para esses rapazes dessa montagem porca acima. Os quatro foram os que me incentivaram a torcida pelo Fortaleza. Não dormi, no estádio eu chorei, tive até cuidado para fazer isso de uma forma que nenhuma câmera me pegasse inclusive, gritei, sentei até no chão aos prantos, abracei os amigos Eduardo Damasceno e Victor Firmino, não deu, não foi dessa vez.

Ao fim do jogo me dirigi até a casa da minha noiva, bebi um pouco, relaxei, mas nada tirava minha cabeça do jogo. Está tarde, já se passam da meia-noite e já se comemoram os 97 anos do Fortaleza, o aniversário mais amargo da bela história desse clube. 

O que mais me entristece é que eu tinha em minha mente um texto preparado, agradecendo aos quatro pelo acesso e por quão bom é torcer Fortaleza. O acesso não veio, mas ser Fortaleza ainda é bom demais apesar dos pesares. Pelo lado do meu pai, o meu tio Ricardo Alves foi o responsável por manter minha paixão contra meu pai Fernando e meu tio Jorge, alvinegros. Do lado de minha mãe a maioria era tricolor, a começar pelo meu avô Orlando Laprovitera, filho de imigrante italianos, acolheu no país o Palmeiras por conta da nacionalidade, o Botafogo pelos seus anos vividos no Rio de Janeiro e sua grande e maior paixão, o Fortaleza Esporte Clube. Dos seis filhos, dois homens, ambos tricolores fanáticos, o mais velho, Miguel Laprovitera em homenagem ao nome aportuguesado do meu bisavô Michelle, e o mais novo, Orlando Júnior, responsável por me levar nas primeiras pelejas do Leão.

Orlando Júnior e Ricardo ainda estão bem, vivos, sofreram horrores hoje em frente a suas televisões já que não conseguiram ir. Meu tio Miguel, tricolor fanático foi fundador de organizada nos anos 80, foi até diretor do clube, sonhava em ver o time sair da Série C, lembro bem de um de seus últimos momentos lúcidos antes de falecer que ele dizia que queria ver o Leão subir, isso, ainda nos anos 90. Ele veio a falecer no dia 24 de Novembro de 1998, por conta de uma doença cardíaca que combatia a vários anos. Meu avô Orlando amava a Seleção Brasileira, me disse ainda lembro no dia 1º de Julho de 2002, após participar dos 15 anos da neta Natália que havia realizado quase todos os sonhos aos ver duas netas completarem essa idade com suas festas, viu o Brasil ser pentacampeão no dia anterior, agora só faltava ver o Fortaleza subir. No dia seguinte ele passou mal, vindo a falecer no dia 5 de Agosto. Meu avô não viu, mais de três meses depois o incrível acesso à Primeira Divisão, ele e meu tio não viram tantas glórias, não viram o tetra, nem o Leão vencer o campeão do mundo, nem muito do domínio no estado, não viram quando vencemos no Maracanã, Parque Antártica e calamos o Morumbi. 

Eles não viram tanto, e hoje eu realmente queria desejar isso a eles e não pude, fui cruelmente usurpado disso. Queria poder encher o peito e dizer que vi isso por eles, porque as pessoas não entendem e dizem ridiculamente: "É só um jogo", não, não é só um jogo, não é só uma paixão, torcer Fortaleza é um estilo de vida, é um amor sem horizonte. Como eu senti raiva dos gols perdidos, dos erros de passe ou arbitragem, da demora nas substituições, do apito final e da chuva de cadeiras, tudo aquilo me fez sentir tão longe deles, tão longe de mim. Sem o Fortaleza, me sinto perdido e escrevo isso não como um jornalista, apenas como um torcedor. Fiel, fanático, apaixonado que mesmo apesar da decepção irá ver até a Fares Lopes, que manterá o sócio, que continuará esperançoso em 2016 já que a cada ano nasce uma nova história. Se eu vou desistir? Nunca! Torcer pelo Fortaleza não é fácil, é místico. 

Por Luca Laprovitera

sábado, 17 de outubro de 2015

Chegou o grande dia

Postado por Luca Laprovitera às 00:17:00 sábado, 17 de outubro de 2015

Chegou o grande dia, para alguns foram dias de espera, para outros foram anos. Eu já desisti da ideia de dormir, meu coração não deixa e junto com ele são tantas emoções. Já chorei vendo a reportagem do Globo Esporte, ouço músicas que me motivam, anda em círculos pela casa, tomei uma garrafa inteira de café, mas o tempo desde que acordei hoje passa lentamente e teima em não passar.

Sei que será difícil, mais até do que em outros anos e isso é o que me dá um pouco mais de esperança, um sussurro dela. Todos vocês já sabem o que eu sinto, já tentei e já escrevi várias vezes todos esses sentimentos, acho que depois de seis anos ficamos um pouco calejados e mais preparados para o pior, as vezes até um pouco pessimistas, mas lá no fundo do peito arde uma chama que faz nosso corpo pegar fogo por dentro, que nos inquieta, que de alguma forma nos faz sentir que ser Fortaleza é um pouco mais do que ser simplesmente um torcedor comum. 

Em algumas horas serão mais de 60 mil escalados na arquibancada e 11 dentro de campo. Todas as reclamações, toda a raiva, ódio e desconfiança serão deixadas de lado, durante aqueles 90 minutos ou mais. Sei que independente do resultado estarei aos prantos às 18 horas, esperando que seja de forma positiva. Sei que na minha frente existirão guerreiros, profissionais, um grupo que deseja aquilo demais, que fará o impossível para nosso desejo acontecer. 

Não apenas o grande dia, chegou a nossa hora, que os pesadelos sejam esquecidos, os medos superados, a dor aliviada e o sonho concretizado. Berna, Erivelton, Tinga, Adalberto, Lima, Genilson, Max Oliveira, Radar, Thallyson, Corrêa, Auremir, Dudu Cearense, Vinícius Hess, Daniel Sobralense, Éverton, Jean Mota, Elias, Tiago Azulão, Maranhão, Lúcio Maranhão, Adriano Martins, Ricardo Jesus, Marcelo Chamusca e Jorge Mota, jogadores, treinador e presidente, até mesmo os outros diversos funcionários que constroem esse clube no dia a dia, estamos com vocês, que sejamos os 11 de hoje, que a cada bola levantada na área consigamos tirar, que a cada dividida consigamos ganhar, que a cada passe consigamos acertar, que a cada drible consigamos passar, que a cada chute consigamos marcar, e que nessa partida consigamos avançar. Volta Leão, volta para a Segunda Divisão!

Por Luca Laprovitera

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

BENDITOS

Postado por Luca Laprovitera às 14:22:00 sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Foto: Fábio Lima/O Povo

Antes da Copa do Mundo da Alemanha em 2006, a marca de cerveja argentina Quilmes lançou um vídeo chamado "Benditos" com um poema que falava sobre os pesadelos dos apaixonados por futebol do país e do orgulho de ser argentino. Nove anos depois, o poema é talvez ainda mais atual do que na época. Não só isso, ele fala muito da nossa realidade como torcedores do Fortaleza, o sofrimento dos últimos anos, a paixão torturada pelas decepções, mas acima de tudo, a perseverança, o amor, a esperança e o orgulho de ser tricolor. Para animar a torcida, traduzimos e fizemos uma versão para a torcida, confiram:

"Bendito seja o acesso com que sonhamos; 
Bendito cada nome que foi designado;
Benditos os jovens que vimos jogando; 
O peso da história, o respeito ganho;
Malditas sejam as lembranças dolorosas; 
Maldita a impotência, a injustiça que vivemos; 
E voltamos para casa, cada um para o seu lado; 
Sem ter jogado a final, ficando pelo caminho; 
Bendita a anestesia dada para as dores; 
E a tristeza curada com abraços; 
A garganta que arranha com os gols; 
E nos sentirmos os melhores por alguns instantes;
Malditos os sorteios dos grupos da morte; 
Os traidores que minam a nossa sorte;
Malditos os mesquinhos que jogam sem poesia; 
Os que batem, os que invejam, os que quebram e machucam;
Bendito seja o orgulho de estar no estádio; 
O jogador e a bola não se mancham; 
A Tv que repete o lance;
Furar a rede adversária, encher o peito e beijar a manto; 
Os turistas, os cronistas, patrocinadores, amigos; 
O hino e as mulheres acompanhando os jogos; 
Benditas as preces que dão resultado; 
O riso e o choro que lembramos tanto; 
Bendito esse momento que nos dá o futebol; 
De poder mudar nosso destino; 
E sentir outra vez em frente ao mundo; 
A glória;
A raça;
De ser Fortaleza!"


Por Luca Laprovitera

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Desistir? Jamais!

Postado por Luca Laprovitera às 15:23:00 segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Jogadores comemorando o gol de Ronaldo Angelim
que levou o Fortaleza ao acesso em 2004
Sigam-me os fortes e otimistas, os fracos e pessimistas passem longe do Castelão no sábado, desacreditar do Fortaleza é ignorar sua própria história. Eu sou bastante realista, mas torcer pelo Fortaleza é ser otimista, afinal suas décadas se passaram assim. Acreditei até quando não deu certo, ouvi até o apito final contra a Ponte Preta em 2003, fui até a última partida contra o Grêmio em 2006 e assisti até o fim contra o Paraná em 2009. 

Mas foi com essa perseverança que ouvi o gol de Frasson em 2000, chorei ao gol de Angelim em 2004, vibrei com o gol de Clodoaldo contra o Icasa em 2005, fui a loucura com Osvaldo em 2008, Rinaldo em 2010, Assisinho em 2013 e Cassiano em 2015, eu nunca desisti. Não desisti nos sete anos de sofrimento dos anos 90, não desisti quando o tri não veio em 2002, quando caímos em 2003, nem quanto tínhamos apenas 2% em 2004, chorei, mas não me dei por vencido em nenhum momento de 2006, nem na final do estadual e nem do Brasileiro. 

Desde que caímos em 2009, não larguei, não deixei depois do Águia, nem Oeste, Sampaio ou Macaé, acreditei até o último minuto contra o CRB, ser Fortaleza é isso, é acreditar! E você? Vai desistir? Vai negar a história do nosso próprio time? Ser Fortaleza, é ser parte do inacreditável!

Por Luca Laprovitera

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Não são apenas 22 jogadores atrás de uma bola

Postado por Luca Laprovitera às 13:18:00 quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Luan Victor, torcedor especial que faleceu em 2012,
com Ciro Sena e Geraldo
Daqueles que não gostam de futebol, sempre existe a desculpa que são apenas 22 homens (ou mulheres) correndo atrás de uma bola. Ignoram estes seres sem razão, a máxima de um esporte apaixonante, que move fronteiras e problemas parecem irrelevantes na frente da paixão por seu clube. Luan Victor, Maria Fortaleza, e tantos outros, aos anos tiveram suas histórias contadas e nos lembram da importância de ser Fortaleza.

Enquanto nos preocupamos com o grande jogo chegando, às vezes nos perguntamos como chegamos até aqui. Nos reconhecemos como apaixonados, muitas vezes nos achamos mais apaixonados do que qualquer outro torcedor, mas esquecemos a importância disso em uma maneira geral.



Claro que a paixão não é só nossa, ela é mundial. A minha preferida aconteceu em 2010, Real Madrid e Barcelona disputavam o título espanhol ponto a ponto até a última rodada, o Real Madrid enfrentava o praticamente rebaixado Málaga em La Rosaleda, mas um heroico empate salvou o Málaga do rebaixamento e parou o poderoso Real, mas a cena mais bonita veio das arquibancadas:



Meu pai torce Ceará, mas nunca foi muito chegado no futebol. Meu avô materno e três tios, dois maternos e um paterno me influenciaram para o lado vermelho, azul e branco da cidade. A paixão que corre no sangue, as lembranças dos gols e vitórias ao lado dos entes queridos, o meu choro pelo gol de Cassiano ao lado da minha noiva, são momentos únicos que ninguém nos tira e o crescer, o dia a dia, e os momentos ruins dos últimos anos nos fazem esquecer porque realmente estamos ali. 

O Fortaleza, os amigos, família, aqueles com quais dividimos esse amor pelo Leão que fazem das arquibancadas uma segunda casa, onde juntos esquecemos os problemas e tomamos aquele cerveja gelada antes de entrar, abraçamos a cada gol e o xingamos juntos o juiz a cada falta que não deveria ser marcado apenas porque é contra o Fortaleza. Que a diretoria, torcedores e jogadores lembrem que por mais irrelevante e simplista que pareça, aqueles 22 homens atrás de uma bola podem mudar um mundo, talvez não o mundo grosseiro de guerras, violência e corrupção, mas o nosso mundo particular ficar um pouco mais vermelho, azul e branco. 





Por Luca Laprovitera